Workshop ON LINE e AO VIVO

No dia 09/10, de 18:00 às 21:00h, teremos o Workshop de FV para cliente do Grupo A.

Workshop Dimensionamento de Sistemas Fotovoltaicos para cliente do Grupo A tem o objetivo de capacitar o participante a dimensionar o sistema FV para um cliente do grupo A.

Recebeu uma conta de cliente do Grupo A e não entendeu?

O que é demanda?

Qual a diferença entre Demanda e Consumo?

Tarifa HoroSazonal?

Tarifa ponta e Fora de ponta? Horário Reservado?

Quantos kwh devo projetar o meu sistema fotovoltaico?

Como ficará a conta após a implantação do sistema fotovoltaico?

Dúvidas na análise econômica financeira desse cliente?

Eu reduzo a demanda ou não?

Melhor aumentar a potência? Ou só gerar no horário fora de ponta?

Meu cliente tem geração na ponta. O que fazer?

Posso colocar FV quando o cliente tem grupo gerador?

Quais as soluções possíveis?

Cliente no mercado Livre. Posso colocar um sistema FV?

Ao final do Workshop, você  vai saber orientar o cliente nesta questão e ainda mais: vai saber interpretar uma conta de energia do grupo A, e quais as opções tarifárias de que o cliente dispõe com ou sem a instalação de um sistema fotovoltaico.

Vamos?

Para atender a diversas solicitações, a próxima edição será on line, ao vivo, dia 09/10, das 18:00hs as 21:00hs, Horário de Brasilia! com uma sessão de perguntas para tirarmos dúvidas dos participantes.

As vagas são Limitadas!!

E aí, vai perder?

Ao final do workshop você vai
1) Entender “de vez” a conta de energia do grupo A.
2) Orientar o cliente com muito mais segurança e efetividade.
3) Apresentar ao cliente comparativo da situação de consumo com X sem a instalação do sistema FV.
Vamos?

Informações Importantes:

  • O Webinário será ao vivo;
  • Os participantes receberão o conteúdo dos slides num arquivo PDF para posteriores consultas;

NÃO PERCAM!!!

No último post, expliquei sobre a diferença de demanda e consumo e as diferenças tarifárias. Nesse post, vou falar sobre quais valores de consumo se usar como base para calcular FV para clientes do grupo A e sobre o fluxo de caixa para esse tipo de cliente.

Na figura abaixo vemos a representação do sistema elétrico da geração até o cliente final.

setor-eletrico
detalhe-1

A instalação de um típica de um cliente do grupo A é:

cliente-grupo-a

Precisamos agora conhecer algumas coisas. Quando solicitamos a concessionária a energização de um cliente do grupo A, duas informações são importantes:

1) Potência instalada: A potência instalada é a soma das potências dos transformadores, em kVA. Esse valor é importante para a concessionária, pois ela precisa estudar se seu sistema tem condição de atender a toda essa carga, e fazer as adequações necessárias. Esse valor também servirá como balizador da máxima demanda que esse consumidor pode contratar.

2) Demanda contratada: A demanda contratada é o valor que o cliente, após estudo por um especialista, contrata junto a concessionária (leia o post Demanda? Fora de Ponta? Horo Sazonal? Traduzindo o “Elitricitrês”). Esse valor está limitado a 0,92 x a potencia instalada.

Dimensionando a FV

Como vimos no post passado ( Demanda? Fora de Ponta? Horo Sazonal? Traduzindo o “Elitricitrês” ) a conta de um cliente do grupo A tem dois consumos, o consumo FP e o consumo na ponta. A principal dúvida que as pessoas tem é qual o consumo que uso para calcular quanto meus sistema de FV precisa gerar. Lembremos que a geração de energia FV se dá no período do dia, ou seja, praticamente apenas no horário fora de ponta (o medidor da concessionária medirá separadamente também a energia injetada), para facilitar o exemplo, vamos considerar que só há excedente de energia no horário fora de ponta. De acordo com o Caderno Temático de MicroGeração e MiniGeração Distribuída, publicado pela ANEEL, temos:

Para as unidades consumidoras que dispõem de tarifa horária, a energia injetada deve ser utilizada, prioritariamente, para abater o consumo mensal no mesmo período (ponta ou fora ponta). Caso haja sobra, esse saldo será utilizado para reduzir o consumo no outro posto tarifário, após a aplicação de um fator de ajuste.

Vamos pegar então uma das contas do post anterior.

conta-hsverde

Vou simplificar os cálculos de geração aqui, presumo que se você está lendo esse post, como calcular qual a potência em FV que você precisa dado o consumo seja de seu domínio. Dessa forma, vou considerar que cada 1kWp gera 121kWh médio/mês.

Então, o cliente acima tem de consumo fora de ponta o valor de 81.195kWh/mês. Dessa forma, para gerarmos essa energia toda, teríamos que instalar 670kWp (81195/121).

Dessa forma, instalando 670kWp, o cliente pagaria apenas o Consumo na Ponta e os valores de Demanda (tem mais coisa, acalme-se).

No entanto, queremos que o cliente também gere energia suficiente para compensar a energia no horário de ponta.

A energia consumida na ponta foi de 8163kWh. No entanto, a energia gerada foi no fora de ponta, então precisamos usar um fator de ajuste.

Como calcular o fator de ajuste?

O fator de ajuste é a tarifa de energia do horario onde foi gerado dividido pela tarifa de energia onde eu quero compensar, no nosso caso, TEFP/TEP.

No nosso exemplo, FA = 0,37567716/0,59195628 = 0,6346272059. Dessa forma, precisamos gerar uma energia no horario FP de forma que multiplicado pelo FA o resultado seja 8.163. Podemos então, escrever a seguinte equação:

EGFP * FA = ECP, onde:

EGFP = Energia gerada fora de ponta

FA = Fator de ajuste (varia de concessionária para concessionária)

ECP = Energia consumida na ponta

Com isso, para o nosso cliente em questão, temos que:

EGFP * 0,6346272059 = 8.163

EGFP = 8.163/0,6346272059 = 12.862,67 kWh/mês.

Como o consumo na fora de ponta é de 81.195kWh/mês, mas o excedente que precisamos gerar para também abater o horário de ponta (12.862,67), precisamo gerar 94.054,67kWh.

Como definimos que cada 1kWp produzirá 121kWh/mês, precisaremos então de aproximadamente 780kWp.

Aprendi a calcular, agora, posso dar o preço ao meu cliente? Ainda não!!!!

No inicio do post eu disse que:

Quando solicitamos a concessionária a energização de um cliente do grupo A, duas informações são importantes:

  1. Potência instalada;
  2. Demanda Contratada;

Em um cliente do grupo A, NÃO PODEMOS INSTALAR MAIS PLACAS DO QUE A DEMANDA CONTRATADA A POTÊNCIA DO GERADOR FV NÃO PODE SER MAIOR QUE A DEMANDA CONTRATADA.

Ou seja, nesse cliente do exemplo, como a demanda contratada dele é de 300kW, só podemos instalar 300kW de sistema FV. Com isso, a geração de energia será menor do que a queríamos anteriormente.

P.S. Para a Aneel, a potência do sistema FV é a menor potência entre a potência de módulos FV(kWp) e a potência dos inversores (kWca).

P.S. 2 Agradecimentos ao Luiz Paulo que me aviso do erro anterior.

P.S.3 Para esse exemplo especifico, considerei que a potência dos módulos é igual as do inversor.

Mas, eu posso aumentar a demanda contratada?

Sim, você pode, mas quando fizer isso, a parcela a pagar de demanda, que é fixa, vai aumentar, o que mudará a análise financeira.

E eu posso aumentar a demanda contratada para qualquer valor?

Não, ela não pode ser maior que 0,92 * a potência instalada. Se você aumentar a potência instalada, além da parte de engenharia legal junto a concessionária, você ainda precisará investimentos físicos na entrada de energia, com isso, além dos custos mensais com o  aumento de demanda, o custo de implantação ainda aumentará.

fluxo-fv

Entendendo o fluxograma acima…

  1. Calcula-se a potência de FV necessária para atingir os objetivos, normalmente, zerar o consumo do horário Fora de Ponta e do horário de Ponta.
  2. Compara se a potencia de FV (PS = Potência Solar :)) é menor que a demanda contratada (DC). Se for menor, faz-se a análise financeira, o orçamento e a proposta para o cliente.
  3. Se a potência em FV for maior que a demanda contratada, precisamos ver qual a potência instalada do cliente oficializada junto a concessionária. Se a potência instalada multiplicada por 0,92 for maior do que a potência em FV que precisamos, precisaremos apenas aumentar a demanda contratada.
  4. Faremos 2 análises financeiras, sendo uma aumentando a demanda contratada e outra sem aumentar a demanda contratada mas reduzindo a geração de energia. Após isso, fazemos o orçamento com as duas hipóteses para o cliente;
  5. Se, no entanto, a potência instalada multiplicada por 0,92 for menor do que a potência em FV que precisamos, será necessário um aumento de carga. Deveremos orçar esse serviços de aumento de carga, (com uma empresa especializada caso isso não seja nossa expertise, dependendo da potência e do estado que encontre-se a subestação, os custos podem ser muito altos).
  6. Faremos novamente 3 análises financeiras, a primeira aumentando a demanda contratada e com os custos de aumento de carga e outra sem fazer aumento de carga e aumentando a demanda contratada até o limite mas reduzindo a geração de energia, e a terceira, sem aumento de carga ou de demanda contratada e reduzindo mais ainda a geração de energia. Após isso, fazemos o orçamento com as três hipóteses para o cliente;
Flower

Vamos fazer na prática

Vamos supor que os dados de conta representado a seguir se repita os 12 meses do ano. Os dados do cliente (reais) são os seguintes:

  • Município: Rio de Janeiro
  • Potência instalada: 500kVA
  • Descrição da entrada de energia: Subestação convencional, disjuntor PVO (AEG) com proteção secundário, relé Schlumberger.
  • Tarifa: Horo Sazonal Verde
  • Demanda Contratada: 300kW
  • Custo do kWp instalado: R$ 6.500,00
conta-hsverde

Como já vimos, anteriormente, esse cliente precisaria de cerca de 780kWp para zerar a conta de energia. Vamos ao Fluxograma então.

780 é <300? Não, ou seja, precisaremos aumentar a demanda contratada. 780 é < 500*0,92? Não, precisaremos aumentar a potência instalada também. A potência instalada mínima que precisaríamos seria de pelo menos mais 350kVA, como o próximo transformador comercial é de 500kVA, precisaremos aumentar a subestação de 1x500kVA para 2x500kVA.

ANÁLISE 1 – AUMENTO DE CARGA

Primeira coisa que se precisa fazer, caso você não seja especialista em entrada de energia e MT, é encontrar um. Como eu sou, sem problemas até agora.

Pela descrição da subestação e pela atual regulamentação Light, essa subestação precisará passar por um retrofit. Além do novo transformador, será instalado uma cabine blindada, com um novo disjuntor de MT e proteção, adequações no sistema de aterramento, no quadro de distribuição (será necessário colocar os dois transformadores em paralelo, adequações na BT), o que gerará um custo de R$ 300.000,00 fora o sistema de FV.

Para o sistema de FV, a R$ 6.500,00/kWp, será necessário um investimento de mais R$ 5.070.000,00. Dessa forma o investimento total inicial do cliente será de R$ 5.370.000,00.

Após a implantação do sistema, a conta de energia ficará assim:

tabela-11

Com isso, esse investimento gerará uma economia mensal de R$ 50.005,30 ou de R$ 600.063,59.

Análise Financeira 1

Considerando os seguintes parâmetros:

  • Aumento no custo da energia de 8% a.a. nos dois primeiros anos;
  • Aumento no custo da energia de 5% a.a. após os dois primeiros anos;
  • Custo de capital (taxa de desconto) de 10% a.a. (descontados mensalmente)
  • Vida útil do projeto: 20 anos
  • Custo de manutenção 1% a.a
  • Vida útil inversores 15 anos

Teremos as seguintes resultados financeiros:

imagem2

ANÁLISE 2 – AUMENTO DE DEMANDA CONTRATADA

Devemos agora analisar financeiramente sem os custos de reforma da subestação. Para isso, poderemos aumentar a demanda até o limite de 0,92*Potência instalada. Como a potência instalada é de 500kVA, o máximo que podemos instalar será 460kWp (500*0,92).

Com isso, iremos gerar menos energia que pretendíamos, a energia gerada então será: 460kWp * 121kWh/kWp = 55660kWh/mês.

Com isso, não geraremos o suficiente nem para abater toda a energia do horário fora de ponta, ficando a conta de energia da seguinte forma:

imagem2

Como não houve aumento de carga, o investimento será apenas nas instalações de FV, que terão o custo de R$ 6.500,00*460 = R$ 2.990.000,00, para se obter uma economia mensal de R$ 28.275,85 ou  R$ 339.310,00/ano.

Análise Financeira 2

Considerando os seguintes parâmetros:

  • Aumento no custo da energia de 8% a.a. nos dois primeiros anos;
  • Aumento no custo da energia de 5% a.a. após os dois primeiros anos;
  • Custo de capital (taxa de desconto) de 10% a.a. (descontados mensalmente)
  • Vida útil do projeto: 20 anos
  • Custo de manutenção 1% a.a
  • Vida útil inversores 15 anos.
imagem3

ANÁLISE 3 – SEM ALTERAÇÃO DE DEMANDA

Vamos agora analisar financeiramente sem mexer no contrato tarifário junto a concessionária. Com isso, o máximo que poderemos instalar de placas será a demanda contratada, de 300kW. Iremos gerar ainda menos energia, sendo a energia gerada de: 300kWp * 121kWh/kWp = 36300kWh/mês.

A conta de energia será:

imagem4

Os custos de instalações serão novamente apenas os de instalações da FV, de R$ 6.500,00 * 300kWp = R$ 1.950.000,00, para se obter uma economia de R$ 20.396,58 mensais ou R$ 244.758 anuais.

Análise Financeira 3

Considerando os seguintes parâmetros:

  • Aumento no custo da energia de 8% a.a. nos dois primeiros anos;
  • Aumento no custo da energia de 5% a.a. após os dois primeiros anos;
  • Custo de capital (taxa de desconto) de 10% a.a. (descontados mensalmente)
  • Vida útil do projeto: 20 anos
  • Custo de manutenção 1% a.a
  • Vida útil inversores 15 anos.
imagem5

Resumo

Como podemos ver na tabela abaixo, a rentabilidade altera em função da carga instalada e demanda contratada do cliente. A opção de limitar a potência de placas na demanda contratada é a que traz maior rentabilidade, apesar de não zerar o consumo do cliente.

imagem6

Qual a melhor opção? Não sei, a escolha é do seu cliente, o dinheiro é dele, ele deve avaliar o que é melhor. Mas, você precisa saber dessas opções, pior coisa que pode acontecer é você não saber e seu concorrente, sim. A percepção que fica é que ele é mais confiável e competente que você.

Limitações

A conta de energia é real. Os custos de instalações em todos os casos estão dentro da ordem de grandeza, mas orçar por kWp é meio forçar a barra para esse tipo de instalação. Considerei também que não há limitação de espaço para a instalação e que não terá sombreamento significante. Na ótica do cliente, que é o que interessa, ainda faltam os custos do acesso e possíveis adequações que ele precise fazer que por ventura não estejam no escopo do FV (exemplos, análise e/ou reforço de estrutura, impermeabilização, dentre outros).

O objetivo é demonstrar que as limitações de um cliente no Grupo A precisam ser analisadas sobre a ótica técnica e financeira.

Salvar

Salvar

resolucao 482 - 2

No dia 11/04 tivemos mais uma Audiência Pública sobre a revisão da Resolução 482, em Fortaleza/CE.

Resolução 482 – Do que trata?

Só para todos saberem do que estamos falando, a REN 482/2012 (Resolução Normativa 482) é a que trata das regras de Geração Distribuída para Minigeração e Microgeração Distribuída.

Eu sempre considerei que ela era importante apenas para quem está diretamente envolvido no setor, mas refletindo melhor, cheguei a outras conclusões.

E para quem é importante?

Mas, pelo visto, a ANEEL não.

O que está se discutindo?

Em resumo, a revisão da Resolução 482 está discutindo se deve mudar a paridade entre a energia gerada injetada na rede e a energia compensada, que hoje é 1:1.

(Para mais detalhes, veja os posts da Bárbara Rubim: http://bit.ly/Resolucao482-1 e http://bit.ly/resolucao482-2.

Resenha da Audiência Pública

Vamos ao objetivo do post, que é minhas opiniões pessoais sobre a Audiência Pública.

Vou confessar que nunca confiei muito em Audiência Pública, sempre achei que era apenas para agradar a massa, pois o jogo já estaria decidido.

Dessa vez, me convenceram que não é assim, e lá fui eu.

Primeira conclusão que tive foi a que eu sou ingênuo.

resolução 482 - erro

Abertura da Aneel

O evento começa com uma abertura da própria agência, explicando o que estava em discussão e fatores relevantes.

Nesse momento, eu descobri que estava no lugar errado.

A pessoa que estava apresentando (lamentavelmente não lembro o nome, se lembrarem, coloquem aí nos comentários) afirma que EMPREGO NÃO É PROBLEMA DA ANEEL.

(ele falou isso de forma mais polida, mas nós entendemos).

resolução 482 - erro

Levando-se em consideração que temos 14 milhões de desempregados, país em crise, economia que não cresce, essa afirmação foi, no mínimo, infeliz ou representa uma completa desconexão com a sociedade.

Depois dessa, eu resolvi até olhar a Missão da Aneel.


Missão da ANEEL
Proporcionar condições favoráveis para que o mercado de energia elétrica se desenvolva com equilíbrio entre os agentes e em benefício da sociedade.

Benefício da Sociedade

Se eu bem entendi, o objetivo é garantir que o saldo final à sociedade no longo prazo seja positivo.

Para tanto, a ANEEL busca quantificar os benefícios e custos à sociedade, e com isso, aplicando preceitos de matemática financeira e análise de investimentos, calcula o resultado.

Na teoria, bem legal. Basta verificar as premissas, e após isso, basta calcular.

#SQN

Ao não dar valor a geração de emprego e renda a ANEEL não coloca todos os benefícios na conta, logo, o resultado final é falho.

Por que não entra na conta?

Não sei, lobby das distribuidoras, falha, incapacidade de calcular, falta de coragem de decisões difíceis?

Não me pergunte.

Falaram contra isso?

Sim, alguns palestrantes, talvez tão surpresos e revoltados quanto eu, abordaram em suas exposições.

Teve os que abandonaram o script original e falaram de improviso, pois chegaram a conclusão que a técnica, mesmo correta, encontraria resistência.

Os que sugeriram a quem disse que emprego não era importante que pedisse demissão (até ofereceu emprego para ele, por 1 S.M.).

Mas, sobre esse ponto, geração de emprego e renda, destaco a apresentação de Julio Martinez, da Orion Consultoria.

Julio destaca a importância do trabalho como resgate da cidadania.

Ele vai mais a frente, ele mostra o trabalho realizado em 2012 com energia solar fotovoltaica.

Conta como isso fez diferença para aquelas pessoas.

O mais curioso é que o Julio não é brasileiro. Ao conversar, ele me diz que está muito feliz em devolver algo ao País que o acolheu tão bem.

E para a ANEEL? Isso não entra na conta…

E a técnica?

Está bem, será que os números da ANEEL estão certos? Melhor, as premissas?

Alguns dos principais pontos abordados:

Fator de Simultaneidade

Palavras bonitas, não?

Em resumo, se discute o quanto da produção de energia FV é consumida imediatamente para as usinas de geração local.

Meus caros leitores vão pensar, e como saberemos quanto isso é?

O Brasil é um país extenso, de culturas e hábitos diferentes. Podemos pressupor que a estatística deva ser altamente complexa.

Lêdo engano. A ANEEL usou como fator de simultaneidade um levantamento realizado no Bairro de São Geraldo, em Campinas, realizado pela CPFL.

Viu, descobrimos que o Brasileiro médio vive em São Geraldo.

A Solarview possui mais dados que o estudo da CPFL e chega a valores totalmente díspares que a ANEEL.

Isso mostra que o estudo está mal feito e é inexplicável, em meu ponto de vista, a ANEEL iniciar um processo dessa importância com estudos dessa forma.

ABSOLAR

A ABSOLAR rebate alguns itens da ANEEL, como:

  • Tamanho típico do Sistema FV Residencial para geração local. A ANEEL considera 7,5kW e a ABSOLAR mostra que 78% dos consumidores residenciais estão nessa faixa. Realmente não entendo a que cálculo estatístico é esse que a ANEEL faz.
  • Custo de Capital PF. A ANEEL entende que para pessoa física o dinheiro não tem custo (alguém me explica isso?).
  • Custo de Capital PJ. A ANEEL entende que o custo capital é de 8% a.a. Alguém pode me dizer onde está esse dinheiro?

E ainda traz estudos californianos, mostrando que lá houve ganho para os não prossumidores.

Está bom ou quer mais?

MRV

A MRV mostra que as pessoas de menor renda também tem vez na geração de energia distribuída.

Difícil discutir com todos os números que ela apresenta.

E só para lembrarmos, o negócio da MRV não É FV.

Minha opinião

Eu não pedi a palavra, irá por escrito nessa semana.

Mas, acho que uma coisa importante está sendo desconsiderada.

A INCERTEZA.

resolução 482 - incerteza

É possível usar uma análise cartesiana sobre Energia? Aliás, sobre negócios?

Qual empresário hoje não é obrigado a rever seu plano de negócios quase todos os dias?

Como analisar a GD sem analisar o efeito do armazenamento no Futuro? Ou o advento do carro elétrico? Blockchain e smart grid?

E o nosso uso da energia, quais os impactos no planeta e nas gerações futuras?

A inviabilização da GD nesse momento significa entraves sérios para novas soluções.

O desenvolvimento da GD, a liberdade de poder escolher como consumir energia, de buscarmos novos modelos de negócios, tudo isso tem potencial enorme.

Potencial para desenvolvermos junto com o mundo e não mais atrasados, como foi com a Solar.

Minha proposta é muito simples.

Não mude nada, abra um processo de fusão da Resolução 482, da resolução 414 e se avance no smart grid e no armazenamento.

Tudo em uma única resolução.

E para tal, que os estudos necessários sejam encabeçados pelas principais Universidades do País (temos várias com condições), com participação de todos os atores da sociedade.

A proposta apresentada pela ANEEL nasceu cheia de falhas de premissas.

Se fosse a fundação de um prédio, cairia. Uma instalação elétrica, incendiaria.

A melhor coisa que a ANEEL tem a fazer é jogar esse estudo fora e começar do ZERO.

Faça a sua parte

Você ainda pode fazer a sua parte. Até o dia 19/04 a ANEEL estará recebendo as contribuições pelo email:

ap001_2019@aneel.gov.br

Para saber mais sobre a revisão, consulte o site da ANEEL em:

http://bit.ly/aneelrev482

Projeto Fotovoltaico

Projeto fotovoltaico, o que é isso? Nós, como engenheiros, conhecemos o significado da palavra projeto e nossas responsabilidades?

Projeto Fotovoltaico e a ART

O projeto, a venda e/ou a instalação de um sistema fotovoltaico trazem uma série de responsabilidades para aqueles que participam de uma dessas etapas.

Hoje, abordarei a parte de projeto.

Projeto Fotovoltaico e a engenharia

Entendendo um projeto fotovoltaico e a engenharia

Uma instalação fotovoltaica, é, antes de mais nada, um serviço de engenharia. Dessa forma, como tal, deve ser tratado.

O mercado fotovoltaico em geração distribuída é um mercado de baixa barreira de entrada, e que tem recebido um sem número de novos players todos os dias.

A despeito de quaisquer considerações de ordem legal (me absterei dessas reflexões nesse post) temos uma série de empresas que atuam no mercado sem ter em seu corpo técnico engenheiros, ou quando possuem, esses carecem experiência de mercado.

Quando falo aqui de experiência, não trato da experiência em projetos fotovoltaicos, até porque, muitos desses novos entrantes possuem mais experiência em sistemas fotovoltaicos que os engenheiros com mais cicatrizes.

Falo da experiência em engenharia mesmo, a experiência advinda do entendimento de nossa responsabilidade como engenheiros perante a sociedade.

A tal da ART

Quando realizamos um serviço em engenharia, somos obrigados a emitir um documento chamado de Anotação de Responsabilidade Técnica, a ART.

Nesse documento, além das informações do cliente, passamos informações do Serviço.

O objetivo da ART, de acordo com o Crea é:

“A finalidade maior da ART é identificar e relacionar os profissionais vinculados à obra e serviços de engenharia com a consequente atribuição de responsabilidades.

A ausência de ART do serviço especifico, compromete, em caso de erros ou falhas, a identificação do(s) responsáveis técnico(s) inclusive civil e penalmente.”

Posto isso, podemos entender que a ART é para proteger a sociedade.

Ao emitir a ART, afirmamos para a sociedade que quem está fazendo o serviço tem competência legal (ou seja, pode fazê-lo) e que em caso de erros ou vícios, é possível identificar o responsável.

Como profissionais precisamos entender isso.

Ao assinarmos uma ART, precisamos assinar pelo serviço que estamos efetivamente realizando e não o que o cliente quer que preenchemos.

É justo que nos responsabilizemos pelo que fazemos.

Se responsabilizar pelo que não fizemos é, no minimo, tolice.

Agora que já entendemos o que é a ART, vamos falar de instalações fotovoltaicas.

Quando iniciamos o processo de homologação de um sistema fotovoltaico junto a concessionária, nos é exigido a ART referente ao projeto e a ART referente a execução, que podem ou não ser do mesmo profissional.

Vamos nos ater ao projeto.

Se iremos emitir uma ART de projeto, significa então, que fomos contratados para fazer o Projeto.

Mas, o que é PROJETO?

De acordo com a Decisão Normativa 106, de 17/04/2015 do Confea, temos que:

“Art. 1° Conceituar o termo “Projeto” como a somatória do conjunto de todos os elementos conceituais, técnicos, executivos e operacionais abrangidos pelas áreas de atuação, pelas atividades e pelas atribuições dos profissionais da Engenharia e da Agronomia, nos termos das leis, dos decretos-lei e dos decretos que regulamentam tais profissões.”

O termo genérico Projeto é definido como o conjunto de projeto básico e projeto executivo.

De acordo com a mesma decisão normativa, temos que:

“I – o Projeto Básico, abordado pela Resolução n° 361, de 1991, e pela Orientação Técnica IBRAOP/OT – IBR 001/2006, que consiste nos principais conteúdos e elementos técnicos correntes aplicáveis às obras e serviços, sem restringir as constantes evoluções e impactos da ciência, da tecnologia, da inovação, do empreendedorismo e do conhecimento e desenvolvimento do empreendimento social e humano, nas seguintes especialidades:

. . .

h) projeto de Instalações Elétricas;

. . .

II – o Projeto Executivo, que consiste no conjunto dos elementos necessários e suficientes à execução completa da obra ou do serviço, conforme disciplinamento da Lei n° 8.666, de 1993, e das normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT.”

Bom, acabamos de compreender o que significa a palavra PROJETO quando assinamos uma ART.

Agora, vamos ver o que precisa constar em um projeto elétrico.

Projeto fotovoltaico - o que deve ter

Consultando a NBR 5410, temos que:

“6.1.8 Documentação da instalação

 

6.1.8.1 A instalação deve ser executada a partir de projeto específico, que deve conter, no mínimo:

a) plantas;

b) esquemas unifilares e outros, quando aplicáveis;

c) detalhes de montagem, quando necessários;

d) memorial descritivo da instalação;

e) especificação dos componentes (descrição, características nominais e normas que devem atender);

f) parâmetros de projeto (correntes de curto-circuito, queda de tensão, fatores de demanda considerados, temperatura ambiente etc.).”

 

Pronto, agora sabemos o que deve conter em um projeto elétrico.

E lembrando, um projeto fotovoltaico é um projeto elétrico.

Ampliando nossa compreensão

Projeto fotovoltaico - compreensao

Precisamos entender algo.

A Concessionária NÃO ANALISA O PROJETO.

O conjunto de informações que a concessionária pede, visa garantir que não iremos causar problemas ao sistema de distribuição dela.

O projeto é de responsabilidade sua.

É justamente sua ART que te traz essa responsabilidade.

Aquilo que entregamos na concessionária, é, no máximo, um RASCUNHO BÁSICO.

Esquema unifilar NÃO é projeto.

É parte de um projeto, mas não é o todo.

Responsabilidade Civil e Criminal

A sua ART diz PROJETO!!!!

Sabe aquela pergunta, quanto você cobra para homologar?

Bem, isso é serviço de despachante. O cliente te fornece todos os documentos, inclusive a ART e você vai lá e faz os trâmites junto a concessionária.

O serviço de despachante é licito e legal?

É sim.

Mas, se você vai assinar a ART de projeto, então, você tem que PROJETAR.

E deve, ou deveria cobrar por isso.

E independente de quanto você cobre, você deve entregar tudo que um projeto deve ter.

E aí, você é um engenheiro ou um despachante?

Está entregando um Projeto Básico ou um Rascunho básico?

Está cobrando por serviço de engenharia ou por serviço de despachante?

#valorizeaengenharia #engenhariaresponsavel

BNDES FINAME ENERGIA

O BNDES lançou uma nova linha de financiamento, o FINAME Energia Renovável. O Frederico Bopp Dieterich, líder da prática de infraestrutura do Azevedo Sette Advogados dissecou essa linha.

Publico o e-mail enviado por ele, com a devida autorização.

Análise detalhada do Finame Energia Renovável

Quem pode solicitar? 

  • Empresas sediadas no País;
  • Administração Pública;
  • empresários individuais e microempreendedores;
  • produtores rurais;
  • transportadores autônomos de carga;
  • fundações, associações e cooperativas sediadas no País;
  • pessoas físicas residentes e domiciliadas no País;
  • condomínios.

Enquadramento. 

As condições financeiras variam conforme o porte do empreendedor.

Atualmente, o BNDES adota o seguinte critério:

ClassificaçãoReceita operacional bruta anual ou renda anual
MicroempresaMenor ou igual a R$ 360 mil
Pequena empresaMaior que R$ 360 mil e menor ou igual a R$ 4,8 milhões
Média empresaMaior que R$ 4,8 milhões e menor ou igual a R$ 300 milhões
Grande empresaMaior que R$ 300 milhões

O que é financiável?

1 – sistemas geradores fotovoltaicos de até 375kW (geração de energia solar);

2 – aerogeradores de até 100kW (geração de energia eólica);

3 – aquecedores/coletores solares (aquecimento d´água);

4 – serviços de instalação dos itens acima;

5 – capital de giro associado aos itens acima, apenas para micro, pequenas e médias empresas (limitado a 30% do valor financiado).

Os equipamentos devem ser cadastrados e habilitados no âmbito desta linha.

Para a relação completa dos bens, máquinas e equipamentos habilitados para financiamento vide:

Lista BNDES

Qual é a taxa de juros que pagarei?

Será o somatório de:

Custo Financeiro – é a TFB – Taxa Fixa do BNDES (se disponível), TLP – Taxa de Longo Prazo* ou Selic**.

* 6,87% ao ano (projetada para contratos assinados em setembro de 2018 e com base na expectativa de inflação acumulada para os próximos 12 meses)

** 6,50% ao ano atualmente.

Taxa do BNDES – atualmente em 1,05% ao ano.

Taxa do Agente Financeiro – a ser negociada entre a instituição e o empreendedor.

Outras condições da operação

O Finame Energia Renovável cobre até 100% dos itens financiáveis; com prazo é de até 10 anos e carência de até 2 anos.

Podem, ainda, ser cobrados pelo BNDES certas comissões e encargos, a título de contraprestação por serviços prestados.

Vide a Tabela de Tarifas do BNDES em https://www.bndes.gov.br/wps/wcm/connect/site/5a23281e-7f24-4318-9b51-997d26100289/Tabela+de+Tarifas+BNDES+2018_01072018_site.pdf?MOD=AJPERES&CVID=mkqR1Gl.

Por fim, há uma tarifa cobrada pela não utilização do saldo do financiamento contratado, chamada de “encargo por reserva de crédito” (0,1% por 30 dias ou fração incidente sobre o valor do crédito ou saldo não utilizado).

Precisarei apresentar garantias?

Sim. Elas são negociadas entre a instituição financeira credenciada e o empreendedor.

Existe a possibilidade de utilização do BNDES FGI (Fundo Garantidor do Investimento) para complementar as garantias oferecidas pelo empreendedor. Trata-se de um instrumento utilizado para complementar garantias de operações de financiamento, aumentando as possibilidades de acesso e melhorando as condições do crédito às empresas.

Normalmente, os financiadores exigem garantias reais (tais como hipoteca, penhor, propriedade fiduciária, recebíveis, etc.) e/ou pessoais (tais como fiança ou aval).

Procedimento para obtenção do Finame Energia Renovável

Se o empreendedor é micro, pequeno ou médio empresário, pode enviar a solicitação pelo “Canal do Desenvolvedor MPME”, disponível AQUI.

Caso contrário, é preciso dirigir-se a uma instituição financeira credenciada com a especificação técnica (orçamento ou proposta técnico-comercial) do bem a ser financiado. A instituição informará a documentação necessária, analisará a possibilidade de concessão do crédito e negociará as garantias.

Após aprovada, a operação será encaminhada para homologação e posterior liberação dos recursos pelo BNDES. Note que o procedimento leva algum tempo.

As instituições financeiras credenciadas no BNDES podem ser encontradas AQUI.

Autor

O texto é de autoria do Advogado Frederico Bopp Dieterich,  líder da prática de infraestrutura do Azevedo Sette Advogados.

e-mail: frederico@azevedosette.com.br

telefone: (31) 3261-6656

#conhecimentodivididomultiplica

 

Estarei em uma série de eventos sobre energia solar de Out-2018. Vamos nos encontrar em algum?

Para quem quer aprender mais sobre energia solar fotovoltaica, temos as seguintes opções:

Eventos de energia solar de Out-2018

Curso Projeto Elétrico Fotovoltaico para Sistemas de Geração Distribuída

energia solar de out-2018 - NBR 16690

 

No ENIE 2018, palestrei sobre a nova norma para sistemas FV que em breve será publicada, a NBR 16690.

Ressaltei alguns pontos e em como ela afetará o projetista.

Que tal se capacitar nela com quem participou da sua elaboração?

Ela vai impactar os seus projetos de FV e seus negócios.

Neste curso de projetos elétricos fotovoltaicos, assuntos como dimensionamento dos condutores, da proteção, aterramento, SPDA em sistemas FV, proteção contra surtos, dentre outros, são abordados.

No último dia de curso, “mãos na massa”. Vamos aplicar os conhecimentos adquiridos para dimensionar uma usina de 200kWp.

É importante ressaltar que as turmas são limitadas para melhor aproveitamento dos alunos.

O curso ocorrerá nos dias 20 e 21/10/2018, das 9:00 às 18:00 hrs, em Fortaleza/CE.

SE INTERESSOU ? CLIQUE AQUI ENTÃO E NÃO PERCA ESSA OPORTUNIDADE DE SER DIFERENCIADO!

Workshop Dimensionamento FV para clientes do Grupo A

 

energia solar de out-2018 - Workshop

Na véspera do CBGD 2018, teremos o Workshop para dimensionamento de FV para clientes do grupo A, assunto que sempre gera muitas dúvidas!

Conheçam meus posts sobre o assunto (aqui, aqui e aqui) e venham assistir o Workshop.

Inscrições Aqui.

 

CBGD – 2018 – 3º Congresso Brasileiro de Geração Distribuída

Energia Solar de out-2018 - CBGD

 

Nos dias 24 e 25 de Outubro teremos a 3ª edição do CBGD em Fortaleza.

Em 2017, palestrei falando dobre segurança (você pode fazer download dos slides aqui), representando a Abracopel.

Esse ano estou novamente por lá, no painel de Capacitação e Certificação em GD, falando sobre os impactos da NBR 16.690 nos projetos e a necessidade da capacitação do engenheiro.

Para saber mais sobre o evento e sobre as palestras, clique aqui.

Espero vê-los por lá!

Ecori Road Show

energia solar de out-2018 - ecori road show

 

No dia 26/10, em Fortaleza,  a Ecori promoverá um evento gratuito, e eu estarei por lá falando da tecnologia SolarEdge.

Ainda teremos o Rodolfo Meyer, do Portal Solar, falando de financiamento.

Que tal, aprender sobre tecnologia de ponta e onde conseguimos dinheiro?

Inscrições aqui.

Aproveitem!!!

projetos eletricos fotovoltaicos

Os sistemas fotovoltaicos estão crescendo de tamanho. Cada vez mais os projetos eletricos fotovoltaicos não podem ser apenas o kit, a complexidade das instalações e do dimensionamento complicam, afinal cada sistema é diferente do outro.

Projetos Eletricos Fotovoltaicos – Aonde aprender?

Pensando nisso, a ABNT viu a necessidade de uma norma, pois a parte em CC de um sistema FV não é totalmente contemplado na NBR5410. Essa norma encontra-se pronta, esperando para ir a consulta pública em breve, mas mesmo enquanto ela não é publicada, temos norma a seguir, que seria a IEC 62548 (que deu origem ao projeto de norma ABNT). A Sinergia Consultoria, desenvolveu o primeiro curso no Brasil especialmente focado para a parte elétrica em CC, baseado já na IEC 62548, na NBR 5410 e na CLC/TS 50539-12 (norma que trata se proteção contra surtos, DPS). O curso foi desenvolvido por mim, Vinicius Ayrão, membro da comissão da ABNT que preparou o projeto de norma, e com experiência de 20 anos em instalações elétricas. As inscrições para as turmas de São Paulo, Curitiba e Porto Alegre já estão abertas, não perca tempo, garanta sua vaga e saia na frente da concorrência. Não basta só aprovar na concessionária, é preciso projetar e executar certo!!! Investimento: R$ 1.200,00 em 3x no cartão de crédito ou com 10% de desconto a vista no boleto bancário. Inscrições: http://www.sinergiaconsultoria.com.br/curso-projeto-eletrico-fotovoltaico/

A Ecori se tornou a 1ª distribuidora do Brasil dos produtos SolarEdge. E me convidaram para assessorar em alguns itens e eu fui. 🙂

Um pouco de história da Ecori com a SolarEdge…

Acho que contextualizar é bom. Tem praticamente um ano que a Ecori fala comigo sobre a tal da SolarEdge, e eles já estavam buscando trazê-los para o Brasil desde 2015. A expectativa, inclusive, é que eles tivessem já distribuindo o produto na Intersolar de 2017.

Mas, isso não aconteceu.

Ao invés de desistir, eles resolveram insistir e em dezembro de 2017 recebi o convite para ir com eles para Israel, na matriz da SolarEdge, como consultor, a fim de ajudar a definir qual a linha de produtos da SolarEdge poderia ser trazida e que atenderiam nossas normas de instalações (não as de produto, isso a Ecori tem experiência e corpo técnico mais do que gabaritado).

solaredge - Headquarter

Conhecendo a SolarEdge

A SolarEdge fabrica e comercializa os otimizadores de potência (Direct current (DC) power optimizers).

Os microinversores e os otimizadores de potência fazem parte de um seguimento de mercado conhecidos como module-level power electronics, ou MLPE.

Esses equipamentos se caracterizam (bem resumidamente) em conseguir uma eficiência maior do sistema e normalmente possuem condições de segurança mais efetivas que os inversores tradicionais.

Essa categoria de produtos tem crescido a taxas maiores que o dos inversores tradicionais, a nível mundial. Pesquisa da GTM prevê que em 2020, mais de 70% do mercado americano de sistemas fotovoltaicos residencias seja de MLPE (micro inversores e otimizadores de potência).

Para mim, o tal dos otimizadores de potência eram novidades. Antes de ir fui estudar, e futuramente farei alguns posts sobre MLPE e otimizadores de potência, mas não estudei a empresa, e fui surpreendido positivamente com algumas coisas sobre a empresa.

  • A SolarEdge tem presença em 21 países e sistemas instalados em 120 países;
  • Líder de mercado mundial no segmento MLPE, com 60% de Market Share;
  • Ações listadas na Nasdaq;

Primeiras impressões

A primeira impressão foi excelente. Fomos recebidos pelo Yoni Ziv (VP Technical Sales), que tinha nossa agenda preparada para todos os dias em que estaríamos lá. A agenda previa que conhecêssemos todos os setores da SolarEdge, tendo uma ideia geral de como é a empresa.

No prédio em que estávamos, de 8 andares, 5 eram de P&D. Nem preciso dizer que o engenheiro aqui ficou LOUCO.

O grau de profissionalismo das pessoas que estiveram conosco era absurdo. Em 4 dias, passamos pelos principais setores da empresa, conhecendo, não só o produto em si, mas o pós vendas, o suporte ao cliente e a filosofia deles de trabalho.

Demorou para eles decidirem entrar no Brasil e para encontrar o parceiro, que no entender deles refletisse sua filosofia, mas a partir do momento que decidiram, a impressão que eu saí, é que eles vem com força total.

Pena que não deixaram a gente tirar foto do laboratório 🙁 .

MLPE da SolarEdge – Como funciona?

Bom, tudo muito legal, laboratório lindo, espaço agradável, pessoas muito agradáveis, mas e o produto? Mais um inversor?

O conceito do sistema SolarEdge é bem simples. E nós adoramos idéias simples, não?

Um inversor tradicional tem duas funções principais. A primeira, garantir a transferência da máxima potência, afinal, o sistema fotovoltaico tem como objetivo transformar energia solar em energia elétrica.

A outra função é converter a energia que está em corrente contínua para corrente alternada.

A SolarEdge se perguntou, por quê um único equipamento e não dois equipamentos, um para cada função?

Solaredge - Principio Funcionamento
Imagem extraída de material da SolarEdge Technologies

E foi isso que eles fizeram.

Levaram a função de garantir a máxima potência para outro equipamento que não o inversor. Esse equipamento, agora ligado a cada módulo ou conjunto de módulos (depende de potência e modelo), garante que cada módulo está gerando sua máxima potência naquelas condições.

Em um inversor tradicional, o inversor garante que o arranjo como um todos esteja gerando a máxima potência, o que será um valor menor do que o somatório da máxima potência de cada painel.

Lembremos que mesmo os módulos sendo o mesmo modelo e potência originalmente, eles vão se degradar de forma diferente, e a geração do arranjo sempre é prejudicada pelos módulos em piores condições.

Solução SolarEdge

Com o otimizador, a SolarEdge conseguiu que cada módulo esteja sempre trabalhando em suas condições ótimas e que não interfiram entre si.

Módulos com sombreamento deixaram de ser um problema para o arranjo todo e passaram a ser um problema pontual apenas. Limitações como módulos de mesmas características, mesma angulação, e azimute já não fazem mais sentidos.

Em seu depósito você tem 2 módulos da Jynko, 3 da Canadian, 4 da Risen e mais 2 da Seraphim? Bem, com a solução SolarEdge isso já não é mais um problema.

A solução SolarEdge utiliza TENSÃO CONSTANTE na entrada CC dos seus inversores. Lembra que a limitação do número de módulos em série era o Voc do arranjo corrigido pela temperatura?

No SolarEdge, não mais. O tamanho da série (string) agora é determinado pela potência e não pela tensão. Isso significa mais módulos em série, o que significa menos material (cabos, DPS, interruptores seccionadores, fusíveis).

Solaredge - vantagens
Imagem extraída de material da SolarEdge Technologies

SEGURANÇA

Dentre todas as características da solução, a que mais me agrada se refere ao quesito SEGURANÇA.

Em 2017 eu praticamente só falei disso. Tem sol, tem tensão. Como garantir a segurança do brigadista ou do Bombeiro Militar em caso de incêndio? Vamos partir do pressuposto que não vai ter incêndio?

Essas preocupações já constam do NEC (National Eletrical Code) e soluções para isso já são exigidos em vários estados americanos.

No Brasil, lamentavelmente, essa preocupação não faz parte de nossas regulamentações, e apesar de existirem soluções para isso, os distribuidores nacionais não buscam os equipamentos para isso.

Mas, agora, a Ecori e SolarEdge trazem a solução para isso (os microinversores também são solução para esses problemas apontados, mas para instalações maiores tendem a ter o custo menos competitivos).

E qual é a solução?

Simples (de novo 🙂 ). Se não tem tensão em CA, cada otimizador vai gerar uma tensão de apenas 1V, dessa forma, mesmo com vários em série ainda teremos tensão de segurança.

Procedimento padrão do Corpo de Bombeiros Militar quando vai combater o incêndio em uma edificação?

Desliga a entrada de CA, apenas a parte de emergência continua funcionando (bomba de incêndio, pressurização da escada de emergência) e a tensão do sistema FV, mesmo em condições de boa irradiação se mantém em tensão de segurança.

Se for um inversor tradicional? Mantém a tensão na faixa dos 1000V.

O Bombeiro foi treinado para combate a incêndio em FV? Não.

Ele sabe o que é isso? Não.

Ele sabe que tem 1000Vcc mesmo com a entrada CA desligada? Não.

Ele merece ter a vida colocada em risco que ele desconhece? Você decide…

Eu sei, eu sei, segurança não vende e você quer solarizar o Brasil…

Mas, sou teimoso.

Se a desculpa era custo muito mais alto com microinversor, aguardo a nova desculpa para instalações em Hotéis, Hospitais ou locais de alta afluência de público.

Visita a instalações existentes

Visitamos algumas instalações com inversores e otimizadores Solaredge que foram instaladas ou tem a manutenção realizada pela Ormash Holding, junto com o Moshe Gurfinkel.

solaredge - instalaçoes Moshe Gurfinkel
Visita a Ormash Holding – Moshe nos explicando sobre suas estruturas

O Moshe teve a gentileza de nos contar sua experiência no mercado solar e de como foi e é o mercado de Israel (esse ensinamento não vem para o blog 🙂 ), bem como sua experiência com SolarEdge e outros inversores.

solaredge - inversores instalados
Visita a instalação da Ormash com SolarEdge

A Importância da SolarEdge para o Brasil

O mercado fotovoltaico é um dos segmentos que mais cresce no Brasil. Mas, por motivos incompreensíveis para mim, continuamos com o hábito de adotar soluções antigas e de esperarmos que os problemas ocorram para depois pensar neles, mesmo que em outros lugares isso já tenha ocorrido.

Preocupações com segurança, O&M, confiabilidade do conjunto (produto + instalação) estão sendo deixados de lado.

Como o mercado está crescendo, buscar novas soluções parece tolice. A iniciativa da Ecori de trazer a SolarEdge para o Brasil nada contra a corrente dominante do mercado.

A Ecori já fez isso anteriormente, com a decisão de apenas comercializar MLPE, iniciando com micro inversores, mesmo que o custo inicial fosse maior. Se me perguntassem a época, eu diria que eles estavam errados (ainda bem que não me perguntaram). Se me perguntarem agora sobre a SolarEdge, bem, agora eu acho que eles estão certos 🙂 .

Acredito que essa decisão Ecori e Solaredge possa tirar os distribuidores e integradores da zona de conforto das soluções que nós temos.

Afinal, a SolarEdge já é a 2 empresa de faturamento mundial em inversores e em alguns países possui 45% de market share, não vai vir para não ser relevante no mercado Brasil. 🙂

A Ecori e a Segurança nas Instalações Fotovoltaicas

Por último no post de hoje, alinhando o discurso a prática, a Ecori em 2018 é uma das patrocinadores do Roadshow Qualidade e Segurança nas instalações elétricas e sistemas fotovoltaico e do Gerenciamento de Risco Elétrico organizados pela ABRACOPEL e pelos sempre incansáveis Edson Martinho e Meire Biurdes.

Não deixem de conhecer a agenda de eventos, estarei em todos os eventos, falando sobre segurança em eletricidade e Normas.

Onde comprar Solaredge no Brasil

Você pode obter mais informações sobre as soluções Solaredge diretamente com a Ecori, AQUI.

#segurancaemeletricidade #ecori #eletricidadesegura #solaredge

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congressos de solar

Teremos uma série de Congressos de Solar e Engenharia em 2018. Vamos facilitar a vida e preparar um resumo para vocês do que temos para esse ano.

Congressos de Solar e Engenharia em 2018

congressos de solar - intersolar

Intersolar

Talvez o evento mais importante de energia solar no Brasil, a Intersolar acontece esse ano simultaneamente com a ENIE. Isso significa, que para quem milita em instalações, esse ano não dá para faltar.

Além das empresas e produtos já esperados, teremos esse ano novidades de tecnologia com a Ecori trazendo a SolarEdge para o Brasil.

Data: 28 a 30/08/2018

Local: São Paulo/SP

Site: https://www.intersolar.net.br/pt/inicio.html

congressos de solar - enieENIE – Encontro Nacional de Instalações Elétricas

O maior evento do setor acontece simultaneamente com a Intersolar.

Além da feira, o destaque fica para o congresso, um dos melhores do setor.

Em 2016, as palestras abordaram temas diversos, como aterramento, sistemas fotovoltaicos e proteção. Estive por lá em 2016, falando de custos em obras de instalações.

Veja minhas resenhas de outras palestras:

https://viniciusayrao.com.br/analises-tecnicas/

Data: 28 a 30/08/2018

Local: São Paulo/SP

Site: http://www.arandaeventos.com.br/eventos2018/enie/html/index.html

VII Congresso Brasileiro de Energia Solar  – ABENS

Organizado pela ABENS e sobe coordenação da UFRGS.

Visitando o site, pelos mini cursos, me parece um congresso mais acadêmico do que técnico/comercial.

Data: 17 a 20/04/2018

Local: Gramado/RS

Site: https://www.ufrgs.br/cbens2018/pt/apresentacao/

Enersolar+Brasil

Em sua 7ª edição, a Enersolar acontecerá em maio, em SP.

Junto a feira, ocorrerá o Congresso, com temas voltados para:

  • Regulamentação e gestão de tributos em foco
  • Financiamento ideal para a estrutura do projeto e tendências tecnológicas
  • Gestão da Qualidade de processos, pessoas e de parcerias de sucesso

Meu destaque fica para o dia 22/05, onde se debate o aspecto jurídico para o modelo de aluguel das usinas.

Data: 22 a 24/05

Local: São Paulo/SP

Site: http://enersolarbrasil.com.br/16/

congressos de solar - BSPBrasil Solar Power

O Rio de Janeiro terá sua 3ª edição do Brasil Solar Power.

Com organização da ABSOLAR e do grupo CANALENERGIA, o evento de 2017 foi excelente.

Altas expectativas para a 3ª edição de minha parte.

Data: 12 a 13/06

Local: Rio de Janeiro/RJ

Site: http://www.brasilsolarpower.com.br/

congressos de solar - cbgdCBGD

Em 2017 estive no CBGD, representando a Abracopel, falando sobre segurança em instalações elétricas fotovoltaicas. Estarei presente esse ano, se não como palestrante, como visitante.

Você pode fazer o download das apresentações de 2017 AQUI.

Data: 24 e 25/10

Local: Fortaleza/CE

Site: http://www.cbgd.com.br/2018/#

 

Buscando conhecimentos sobre energia solar? Veja Webinários sobre o assunto.

Entendendo conceitos de energia solar

Neste webinário, temos a minha estreia no programa Eletricista Consciente da Abracopel, onde dou um apanhado geral sobre sistemas FV.

String Box

O que deve ter uma String Box? Tem norma? Vamos ver nesse webinário.

Riscos Elétricos em um sistema FV

Neste Webinário, falo sobre as preocupações de risco elétrico que precisamos ter em um sistema FV.

Preocupações no combate a incêndio em uma instalação com sistema de energia solar FV

Um incêndio em uma edificação com sistema FV altera algo? Os bombeiros militares e os brigadistas estão cientes?

SPDA e o sistema FV

Vamos analisar as peculiaridades que temos com um sistema FV instalado em um cliente com SPDA?

 

 

Fechando a série vencedora do Prêmio de Jornalismo Abracopel com Corrente Alternada em instalações fotovoltaicas, uma análise com foco na segurança em eletricidade.

Corrente alternada em instalações fotovoltaicas

Toda instalação de um sistema fotovoltaico conectado a rede, necessariamente possui instalações em corrente alternada. A princípio, não existe, ou não deveria existir riscos diferentes que uma instalação elétrica normalmente tem. Mas eu discordo.

Como é o mercado?

O mercado de geração distribuída, principalmente o segmento de micro geração, foi desenvolvido através dos principais fatores:

  • Mudança na legislação, que permitiu a injeção de energia na rede da distribuidora e o uso de compensações;
  • O desenvolvimento de um mercado de empresas de distribuição de geradores fotovoltaicos, que passaram a oferecer todos os itens necessários (kits) para um sistema fotovoltaico;
  • O desenvolvimento de um mercado de cursos/treinamentos que visam formar mão de obra capacitada para o dimensionamento e a instalação de um sistema fotovoltaico;

O grande problema é que os treinamentos que visam capacitar não abordam um ponto muito importante: Instalações elétricas em corrente alternada.

Dessa forma, estamos colocando uma série de pessoas no mercado, que estão trabalhando e modificando a instalação elétrica de residências, e desprezando o acréscimo de riscos que temos.

O mais curioso é que com quase 12 anos de NR-10, esse assunto não seja tratado com a devida atenção.

Mas, vamos as principais preocupações em CA.

Primeiro, o que diz a NBR5410 sobre segurança?

Toda a filosofia da NBR 5410 (aliás, de qualquer norma de instalações) tem como base a segurança das pessoas e do patrimônio. Ela define condições mínimas (e não o estado da arte) que devem ser cumpridas.

Então, quando instalamos um sistema fotovoltaico, estamos modificando as características da instalação elétrica. Precisamos, dessa forma, garantir que onde intervimos ao ponto de conexão ao medidor, as condições mínimas de segurança estejam atendidas (ou seja, em conformidade com a norma).

Medidas de proteção contra choque

A NBR 5410 e a NR10 prescrevem a necessidade do seccionamento automático da alimentação. Sabemos, que dependendo do tipo de esquema de aterramento que a edificação tiver (TN ou TT), o modo de realizar esse seccionamento automático é diferente.

Então, é necessário que o instalador do sistema FV saiba, primeiramente, reconhecer, em campo se o esquema de aterramento é o TN, o TT ou uma mistura incorreta dos dois. Apenas após identificar isso, se é possível definir qual o dispositivo poderá ser escolhido para cumprir a função de seccionamento automático da alimentação.

Ainda é necessário a avaliação do aterramento, definir se o mesmo está adequado ou não, e não estando, definir e providenciar as intervenções necessárias para a adequação do mesmo.

Proteção contra surtos

Está aí um grande problema. Os kits fotovoltaicos, normalmente tem os DPS para o lado de CC (na maioria, errado ou de má qualidade, mas isso é outro assunto, sobre DPS CC veja meus outros posts https://viniciusayrao.com.br/dps-solar/ e https://viniciusayrao.com.br/dps-fotovoltaico/), mas não tem para o lado CA. Quando tem, a definição deles foi feita sem uma análise da instalação, mas especificado como se fosse uma coisa padronizada.

Mesmo que aceitemos que o modelo e tipo de DPS que virá no Kit esteja de acordo, caberá (ou deveria caber) ao projetista do FV, verificar a correta coordenação dos DPS existentes com o novo DPS que seria instalado com o sistema fotovoltaico.

No entanto, mesmo para os engenheiros eletricistas que militam em instalações elétricas, o assunto proteção contra surtos e especificação de DPS é complexo.

Entradas de energia alimentadas com rede aérea ou em empreendimentos que possuem SPDA instalado deveriam possuir DPS classe 1 e depois os classe 2. A maioria das instalações existentes, ou não tem DPS, ou se tem, estão especificados incorretamente (veja o que falo de DPS em https://viniciusayrao.com.br/especificacao-do-dps/).

Por último, um DPS para corrente alternada precisa de um fusível de proteção, cujo valor máximo encontra-se no catálogo de cada fabricante. Também é muito comum a instalação de DPS sem o fusível de proteção.

corrente alternada em instalações fotovoltaicas - DPS sem proteção
Figura 1 – DPS em CA sem dispositivo de proteção

Ponto de conexão

O local onde o gerador fotovoltaico é conectado efetivamente as instalações elétricas da edificação é o ponto de conexão.

Se utilizarmos um disjuntor, por exemplo, ele deverá ter, no mínimo, as características dos demais disjuntores do mesmo quadro.

Além disso, esse disjuntor a ser instalado exigirá uma intervenção no quadro de distribuição, que não pode ser realizada de qualquer maneira.

Quadros de distribuição que compramos prontos, comuns em muitos empreendimentos residenciais e comerciais, tem seus barramentos de derivação de capacidade de condução de correntes com valores na ordem de 30 ou 40A, mesmo que o barramento geral seja de 100 ou 150A.

corrente alternada em instalações fotovoltaicas - quadro de distribuição
Figura 2- Quadro encontrado em instalação residencial

Esse é um fator que deve ser levado em consideração, pois pode ser um ponto de sobrecarga futura na instalação.

Linhas elétricas

A linha elétrica a ser utilizada no lado de CA precisa avaliar as influencias ambientais em que estará submetido. Instalações em locais de alta afluência de público, por exemplo, não poderão ser de PVC.

Talvez seja um dos pontos mais críticos para residências quando falamos em FV.

A NBR5410 me define o que pode ser usado aonde, certas linhas elétricas que são aceitas em instalações industriais, por exemplo, não podem ser utilizadas em instalações residenciais.

Uso de cabos aparentes, instalação de condutores CC e CA (oriundos de fontes diferentes) são bastante adotados em instalações FV atualmente.

Conclusão

É impossível a execução de uma instalação FV com condições mínimas de segurança elétrica sem a observância da NBR5410. Aliás, sem o amplo domínio da mesma.

É necessário que o mercado entenda isso, e mais, que entenda que não se forma um especialista em instalações elétricas em 100h de treinamento, por exemplo.

Sem um esforço continuo do mercado, dos seus principais players, e nesse caso incluo as associações (ABSOLAR e ABGD, por exemplo), dos distribuidores, fabricantes, empresas de engenharia consultiva, projetistas e instaladores, não teremos uma melhora na segurança dessas instalações.

Aliás, no primeiro acidente grave que ocorrer, o lobby contra a geração distribuída só aumentará, e dessa vez com argumentos. É dever de todos nós lutar por instalações FV mais seguras, quer pelo aspecto de responsabilidade, quer pelo aspecto financeiro.

Resumo do Espaço Solar

Busquei nos artigos trazer um apanhado geral sobre segurança em FV.

Nos próximos artigos, abordarei assuntos de FV, não necessariamente ligados a segurança, mas também sobre a parte econômica financeira e sobre o projeto de norma de arranjos fotovoltaicos.

Caso tenham sugestões de assuntos para abordar, mandem email para vinicius@viniciusayrao.com.br.

Figura 1: Extraída de: https://encrypted-tbn0.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcRNnjzojfKewvFbWWmudU19F0N3Zb4Yh_QUbWkCWCyGbCNQUWfs4g

Figura 2: Extraída de: https://www.google.com.br/imgres?imgurl=https%3A%2F%2Fbr.habcdn.com%2Fphotos%2Fproject%2Fbig%2Fquadro-de-distribuicao-antigo-nema-1021921.jpg&imgrefurl=https%3A%2F%2Fprojetos.habitissimo.com.br%2Fprojeto%2Fatualizacao-de-quadro-de-distribuicao&docid=6I87cdpgiIqAFM&tbnid=YlPzYnNJg-1glM%3A&vet=10ahUKEwig47i-n4nVAhVIlZAKHe1BBD4QMwgjKAEwAQ..i&w=900&h=506&hl=pt-br&safe=active&bih=613&biw=1366&q=quadro%20de%20distribui%C3%A7%C3%A3o%20ruim&ved=0ahUKEwig47i-n4nVAhVIlZAKHe1BBD4QMwgjKAEwAQ&iact=mrc&uact=8

Artigo publicado originalmente na revista Lumière Electric 231 – Link da revista AQUI

Os 4 artigos escritos até agora, links ao final do artigo,com um pouco de consulta e conhecimento técnico de eletricidade, independente do fato de termos ou não uma norma brasileira especifica para arranjos FV, poderíamos concluir tudo o que escrevi. No entanto, quando falamos de DPS Fotovoltaico , a coisa complica um pouco (na verdade, muito).

O que é DPS e para que serve?

O DPS é um dispositivo de proteção contra surtos, e como o próprio nome diz, tem como objetivo proteger a instalação e os equipamentos contra surtos transitórios de tensão.

Esses surtos podem ser originados de descargas atmosféricas diretas ou indiretas na edificação ou por manobras na rede da concessionária.

As duas principais normas de instalações que prescrevem sobre o uso de DPS são a NBR5410 e a NBR5419.

O assunto e a correta especificação de DPS já não é simples no lado de CA, e falar sobre isso fugiria um pouco ao objetivo desse artigo.

Mas quando falamos sobre DPS para o lado de CC em um sistema fotovoltaico, temos um problema. O DPS NÃO pode ser o mesmo que utilizamos em CA.

Qual(is) normas de DPS?

No Brasil, a norma de produto de DPS é a NBR IEC 61643-1, de 2007, baseada na revisão de 2005 da IEC 61643-1. Já temos um ponto de preocupação, pois essa norma IEC foi substituída pela IEC 61643-11 em 2011, e a norma ABNT se baseia ainda na revisão de 2005.

Mas, vamos ao escopo da norma:

Esta parte do ABNT NBR IEC 61643 é aplicável aos dispositivos para proteção de surto contra efeitos diretos e indiretos de descargas atmosféricas ou outras sobretensões transitórias.

Estes dispositivos são montados para serem conectados a circuitos de 50/60 Hz c.a. ou c.c, e equipamentos de tensão nominal eficaz (r.m.s) até 1 000 V ou 1 500 V c.c. As características de desempenho, os métodos de ensaios e as características nominais são estabelecidos para estes dispositivos que contêm pelo menos um componente não linear destinado para limitar surtos de tensão e desviar surtos de corrente.

Pelo escopo da norma, atende a CC até 1500V, logo, atende a FV, simples assim.

Mas, não é assim.

Um pouco de história

Após uma série de incêndios na Europa (principalmente na Alemanha), se investigou e em meados de 2006 e 2007 concluíram que o DPS, fabricado conforme a norma existente, era um possível foco de incêndio ao fim de sua vida útil.

Catálogos de fabricantes da época chamavam atenção sobre isso.

DPS fotovoltaico - catalogo Weidemuller espanhol
Figura 1 – Extraído do Protección contra sobretensiones en instalaciones fotovoltaicas
Información técnica – Weidmüller – 2009

Em 2009 um fabricante alemão desenvolveu e patenteou um DPS com um fusível integrado que solucionava esse problema. Esse DPS foi concebido de tal forma, que ao final de sua vida útil esse fusível interrompe o circuito internamente no DPS, acabando com o risco de incêndio.

Em 2011, foi publicado uma norma europeia, a EN-50539-11 (Low-voltage surge protective devices. Surge protective devices for specific application including d.c. Requirements and tests for SPDs in photovoltaic applications), voltado especificamente para corrente continua em FV, pois se chegou ao consenso de que a IEC 61643-11 não atenderia a FV.

Essa norma, entre outros avanços, traz a necessidade de se prever um meio de desconexão do DPS do sistema ao fim de sua vida útil.

Por que existe o risco de incêndio

O que um DPS faz é dar passagem para a terra no momento do surto. Ele sai de um estado isolante (circuito aberto) para um estado de curto (circuito fechado) e quando o surto (a sobretensão) cessa, ele volta ao seu estado normal (pelo menos, deveria).

O que caracterizará o fim da vida útil é o fato de o equipamento ser incapaz de voltar ao estado original. Nesse momento então, o circuito permanece fechado.

Instalações em que a corrente de fuga é alta, um fusível de retaguarda externo ao DPS o isolaria do sistema, terminando o risco de incêndio.

No entanto, em um sistema FV conectado a rede (on grid), a corrente de curto circuito não é muito maior que a nominal. Na verdade, em condições de baixa insolação, a corrente de curto circuito ainda será menor que a corrente em condições normais de alta insolação.

Em virtude disso, o fusível de retaguarda não atuaria nesses casos.

Um DPS conforme a IEC 61643-1 (ou a -11, em sua revisão atual) vai, em seu interior, tentar fazer essa desconexão mecanicamente, mas, a associação de corrente contínua em tensões altas e a ausência de câmara de extinção de arco no interior do DPS virará uma fonte de calor e um foco de incêndio.

E preciso me preocupar com a EN 50539-11?

O engenheiro quando projeta e/ou especifica um equipamento deve fazê-lo tendo em mente também as características da instalação e visando garantir a segurança das pessoas e do patrimônio.

Sabemos que a IEC 61643-11 (e por consequência a NBR IEC 61643-1), não oferece as condições de segurança necessárias.

Será que podemos, como profissionais não levar isso em consideração, apenas com a alegativa de que não temos norma nacional sobre o assunto?

Mas, independente de juízos de valores pessoais que possamos fazer, a NR-10 deixa claro que na ausência ou omissão de normas nacionais devem ser aplicadas as normas internacionais ou estrangeiras. Esse caso, não é um item claro de omissão na norma?

DPS Fotovoltaico em Y

Uma recomendação dos fabricantes de DPS para instalações fotovoltaicas é que eles sejam ligados em Y, pois essa configuração é resistente em uma falha de isolação em um sistema fotovoltaico.

Exemplo, se em um sistema de 1000V o polo negativo tem uma falta a terra, entre o polo positivo e a terra teremos uma tensão de 1000V.

Se utilizamos um DPS singelo de 500V, ele irá queimar. Em uma configuração em Y sempre teremos 2 varistores em serie que vão suportar essa tensão (500V + 500V) e a tensão se divide entre os dois.

DPS fotovoltaico - conexão em Y
Figura 1 – Exemplo Configuracao em Y – extraido do CLC TS 50539-12 2013

Situação no Brasil

O projeto de norma de Instalações Elétricas – Arranjos fotovoltaicos, que por sua vez foi baseada no documento que deu origem a IEC 62548 Photovoltaic (PV) arrays. Design requirements, traz em seu texto que os DPS no lado de CC de um arranjo FV deverão estar de acordo com a EN 50539-11, obrigatoriedade esta que já consta da IEC 62548.

Alguns poucos fabricantes ou importadores de DPS no Brasil comercializam DPS projetados e construídos conforme a EN 50539-11.

A alegativa dos que comercializam os DPS conforme NBR IEC 61643 é que, pelo escopo da norma, atende, desprezando com isso as lições aprendidas em outros países, coloca em risco pessoas e patrimônio, e induz projetistas ao erro.

Fica a pergunta, será necessário algum acidente grave para que sejamos mais responsáveis?

Observações:

Entre a data de publicação desse artigo na Revisa Lumiere e nesse post, algumas novidades:

  • Em 01/2018 será publicado a norma IEC 61643-31 – ED1: Low-voltage surge protective devices – Part 31: Requirements and test methods for SPDs for photovoltaic installations;
  • A IEC 62548 cita a EN 50539-11, mas essa IEC será revalidada ou não em 2018. Acredito (juízo de valor meu) que será substituído as referências;
  • O Projeto de norma da ABNT – Instalações Elétricas: Arranjos Fotovoltaicos, traz em seu texto a exigência da EN 50539-11. Como ainda vai a consulta pública, acredito que a revisão substitua.
  • As informações que tenho é que a IEC 61643-31 é baseada na EN 50539-11. 

Artigo publicado originalmente na revista Lumière Electric 230 – Link da revista AQUI

Artigo escrito em colaboração com

Maria Jose Lopez – engenheira Eletricista, atualmente é Gerente da América Latina da DEHN+SOHNE. Anteriormente trabalhou como especialista em proteção de sistemas fotovoltaicos na filial da Espanha da Dehn.

Veja os outros artigos da série vencedora do Prêmio de Jornalismo Abracopel
Especificação da string box

Continuando a série vencedora do Prêmio Jornalismo Abracopel, o 4º artigo tratando da Especificação da String Box .

Não deixe de ler os outros três artigos (1, 2 e 3).

Especificação da string box

No artigo anterior abordei a especificação dos materiais em corrente contínua para FV. Nesse artigo abordarei a especificação da String Box (caixa de junção) e das seccionadoras.

Seccionadoras

Antes de analisarmos como uma seccionadora deve ser especificada, precisamos definir quando precisamos usá-la.

A IEC 62458 (E o projeto de norma da ABNT de arranjos fotovoltaicos) vai definir quando é obrigatório a instalação de um dispositivo capaz de seccionar a tensão no lado de corrente contínua de um sistema fotovoltaico.

Essa determinação é feita em função da classificação DCV do arranjo. Como essa classificação DCV não é de uso corriqueiro para boa parte da comunidade técnica, abaixo temos uma tabela que resume essa classificação.

especificação da string box - tabela dcv

Tabela 1 – Extraída do Projeto de Norma: Instalações Elétricas: Arranjos Fotovoltaicos

Com essa definição em mãos, podemos agora definir onde é necessário o uso de um dispositivo para seccionar e qual o tipo dispositivo devemos utilizar, conforme tabela a seguir.

especificação da string box - tabela seccionamento

Tabela 2 – Extraída do Projeto de Norma: Instalações Elétricas: Arranjos Fotovoltaicos

Terminologia…

Analisando as duas tabelas, podemos ver que a grande maioria dos arranjos fotovoltaicos que utilizamos é o DVC-C, e nesses casos, no mínimo do arranjo precisaremos de um dispositivo interruptor seccionador.

É muito comum o uso dos termos seccionador e interruptor de forma errônea, então antes de mais nada, vamos buscar a terminologia correta.

  • Seccionador: dispositivo de manobra mecânica que, na posição aberta, atende aos requisitos especificados para a função de isolação;
  • Interruptor: dispositivo de manobra mecânica capaz de estabelecer, conduzir e interromper correntes em condições normais do circuito, que pode incluir condições especificadas de sobrecargas em serviço, assim como conduzir por tempo determinado correntes em condições anormais especificadas do circuito, como as de curto-circuito;
  • Interruptor-seccionador: interruptor que, na posição aberta, atende aos requisitos de isolação especificados para um seccionador;
  • Disjuntor: dispositivo de manobra mecânica, capaz de estabelecer, conduzir e interromper correntes em condições normais do circuito, assim como estabelecer, conduzir por um tempo especificado e interromper correntes em condições anormais especificadas do circuito, como as de curto-circuito;

Definições extraídas da NBR IEC 60947-1

Se olharmos com atenção a tabela 2, veremos que a norma distingue bem locais apenas com seccionador e locais com dispositivo interruptor seccionador.

Na grande maioria das instalações no Brasil, nosso arranjo fotovoltaico está enquadrado em DCV-C, dessa forma, será, no mínimo, sempre obrigatório o uso de dispositivo interruptor-seccionador no arranjo.

Entendendo o que diz a tabela

Com isso, a primeira coisa que temos que ter em mente é que precisa ser SOB CARGA. Apesar de não ser correta a terminologia, se escrevermos interruptor ou seccionador na especificação, devemos usar a expressão SOB CARGA.

O objetivo de ser redundante (no caso do uso da palavra interruptor, já que por definição ele é SOB CARGA) é que o mercado não tem o devido domínio das terminologias técnicas, e nossa preocupação é garantir a segurança.

Mas, os dispositivos interruptores/seccionadores também precisam atender as seguintes características:

  • não possuir qualquer parte de metal exposta, tanto em estado ligado como desligado;
  • apresentar corrente nominal igual ou superior a do respectivo dispositivo de proteção
  • Não ser sensíveis à polaridade (correntes de falta em um arranjo fotovoltaico podem fluir no sentido oposto ao de operação normal);
  • Ser dimensionados para seccionar plena carga e potenciais correntes de falta do gerador fotovoltaico e quaisquer outras fontes de energia conectadas, tais como baterias, geradores e a rede elétrica, se presente;
  • Quando a proteção contra sobrecorrente for incorporada, devem ser dimensionados de acordo com 5.3.
  • Interromper todos os condutores energizados simultaneamente.

Não podemos esquecer que o dispositivo interruptor seccionador deve ser apropriado para uso em CC.

Caixa de Junção (String Box)

Estamos de novo em um item polêmico. Qualquer instalação em que não se use micro inversores (sobre micro inversores falaremos futuramente) vai precisar de uma caixa de junção, nem que seja apenas para acondicionar o dispositivo interruptor seccionador, de uso obrigatório, como vimos.

Além do dispositivo interruptor-seccionador, ainda podemos ter DPS, disjuntores, dispositivos fusíveis, etc. Todos esses dispositivos devem ficar acondicionados em uma ou mais string box (utilizarei o termo em inglês, por ser o termo consagrado no mercado nacional).

Para analisarmos como fazer a especificação da string box, precisamos saber o que ela é. Novamente, iremos recorrer a terminologia técnica:

  • caixa de junção: invólucro no qual subarranjos fotovoltaicos, séries fotovoltaicas ou módulos fotovoltaicos são conectados em paralelo, e que pode alojar dispositivos de proteção e/ou de seccionamento.

NOTA    Termos equivalentes em inglês: string box, junction box ou combiner box.

Extraído da ABNT NBR 10899:2013

Pela definição, podemos ver que é muito parecido com a definição de quadro de distribuição:

  • Quadro de distribuição: Equipamento elétrico destinado a receber energia elétrica, através de uma ou mais alimentações, e a distribuí-la a um ou mais circuitos, podendo também desempenhar funções de proteção, seccionamento, controle e/ou medição.

Extraído da ABNT NBR IEC 50 (826)

Ao buscarmos pelas normas de produto vigentes, temos que as normas de produto que englobam o escopo da String Box seriam a NBR IEC 60439-1 e as NBR IEC 61439-1 e -2. Todas elas trazem em seu escopo tensão nominal inferior a 1500V em CC.

Para as string box montadas por pequenos fabricantes, na maioria dos casos, não temos certeza que o conjunto como um todo atende a uma dessas três normas. Na verdade, alguns desses fabricantes desconhecem até o fato de se possuir norma para isso.

Restrições de custo e dificuldade na compra de uma string box com certificação de que foi produzida em conformidade com alguma dessas normas vai dificultar a escolha e especificação.

Nessa situação, como especificar e comprar?

A sugestão é que, como os montadores encaram a string box como um conjunto de equipamentos, que se especifique item por item os equipamentos da string box, para evitar que se tenha equipamentos não condizentes com as necessidades da instalação ou que não atendam as normas necessárias para sistemas FV.

Ao especificar os componentes, deve-se dar atenção a especificação dos invólucros, tanto a resistência ou não aos raios UV quanto ao grau de proteção IP.

Norma de instalação x norma de produto

Não há impedimento normativo (pelo menos que eu conheça) de se fabricar um conjunto de manobra (isso inclui uma strig box) que contenha tensões diferentes em seu interior (seja de valores nominais, seja de CC e CA, por exemplo).

No entanto, a norma de instalações, a NBR 5410, PROÍBE  o uso de duas fontes diferentes no mesmo quadro, com exceção pra os conjuntos de manobra projetados para efetuar o intercâmbio, como podemos ver no item transcrito a seguir:

4.2.5.7 Quando a instalação comportar mais de uma alimentação (rede pública, geração local, etc.), a distribuição associada especificamente a cada uma delas deve ser disposta separadamente e de forma claramente diferenciada das demais. Em particular, não se admite que componentes vinculados especificamente a uma determinada alimentação compartilhem, com elementos de outra alimentação, quadros de distribuição e linhas, incluindo as caixas dessas linhas, salvo as seguintes exceções:

 a) circuitos de sinalização e comando, no interior de quadros;

b) conjuntos de manobra especialmente projetados para efetuar o intercâmbio das fontes de alimentação

c) linhas abertas e nas quais os condutores de uma e de outra alimentação sejam adequadamente identificados.

Temos que em uma instalação conectado a rede, é o inversor que faz o intercâmbio entre as fontes, dessa forma, não é permitido por norma que se instale as chamadas string box CA + CC (para mais sobre isso, leia o post String Box CA + CC – Pode isso Arnaldo? ).

Então, lembre-se sempre que o responsável pelo projeto e execução não é o fabricante e sim as pessoas que emitem a ART. Delegar essa função para o fabricante da string box pode se revelar um risco quando o produto não atender as normas de instalações.

Na próxima edição falaremos especificamente sobre DPS para as instalações FV.

Fontes consultadas:

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 10899:2013 : Energia solar fotovoltaica — Terminologia. Rio de Janeiro: ABNT, 2013. 11p.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR IEC 60947-1:2013 : Dispositivo de manobra e comando de baixa tensão
- Parte 1: Regras gerais. Rio de Janeiro: ABNT, 2013. 247p.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. Texto base Projeto de Norma de Instalações elétricas de Baixa Tensão – Arranjos Fotovoltaicos. Rio de Janeiro, ABNT, 2016.

Artigo publicado originalmente na revista Lumière Electric 229 – Link da revista AQUI

 

educação continuada fotovoltaico

Depois de uma ausência, retomamos às agendas dos cursos de educação continuada fotovoltaico e de engenharia de instalações elétricas para janeiro e fevereiro/2018.

Educação Continuada Fotovoltaico e Eletricidade Jan/Fev 2018

Energia Solar

Sinergia Consultoria

logomarca da sinergia - curso fotovoltaico

1. Projetos Elétricos Fotovoltaicos, da Sinergia Consultoria, idealizado e ministrados por mim.

Quando:

Curso presencial:  Fevereiro em SP, nos dias 23 e 24/fevereiro

Inscrições em: http://www.sinergiaconsultoria.com.br/curso-projeto-eletrico-fotovoltaico/

Curso EAD (turma piloto só para 5 alunos) : Janeiro Sem data ainda utilizando a plataforma Webinarjam.

Investimento:

  • R$ 1.200,00 com 10%de desconto a vista. Pode ser parcelado, sem desconto, em 3x no cartão.

Inscrições:

Curso presencial começam na primeira semana de janeiro – http://www.sinergiaconsultoria.com.br/curso-projeto-eletrico-fotovoltaico/

Curso EAD (piloto só pra 5 alunos): Interessados enviar email para: vinicius@viniciusayrao.com.br

2. Extecamp – Unicamp

A Extecamp possui 3 cursos sobre energia solar, idealizados pelo Prof. Marcelo Gradella Villalva.

2.1)Introdução à Energia Solar Fotovoltaica – Sistemas Isolados e Conectados à Rede

Quando:

  • 19 e 20/janeiro, na Unicamp, em Campinas/SP;
  • 02 e 03/fevereiro, na Unicamp, em Campina/SP;

Investimento:

  • R$ 860,00 (parcelado em até 2x)
  • R$ 731,00 (a vista – 15% de desconto)
  • R$ 645,00 (a vista ou em até 2x – promoção especial para pacote de cursos – 25% de desconto)

 

2.2) Projeto e Dimensionamento de Usinas Solares e Sistemas Fotovoltaicos de Geração com PVSYST

Quando:

  • 21 e 22/janeiro, na Unicamp, em Campinas/SP;

Investimento:

  • R$ 1.490,00 (valor normal, parcelado em até 3x)
  • R$ 1.266,50 (pagamento à vista – 15% de desconto)
  • R$ 1.115,50 (pagamento à vista ou em até 3x – promoção especial para pacote de cursos – 25% de desconto)

 

2.3) Instalação e Integração de Sistemas Fotovoltaicos Conectados à Rede Elétrica

Quando:

  • 26, 27 e 28/janeiro, na Unicamp, em Campinas/SP;

Investimento:

  • R$ 1.490,00 (valor normal, parcelado em até 3x)
  • R$ 1.266,50 (pagamento à vista – 15% de desconto)
  • R$ 1.115,50 (pagamento à vista ou em até 3x – promoção especial para pacote de cursos – 25% de desconto)

Inscrições AQUI.

3.LGL Treinamentos

3.1) Curso Completo de Integrador e Instalador Solar (4 dias)

Quando

  • 15 a 18/janeiro, em São Paulo/SP
  • 19 a 20/janeiro, em Rio de Janeiro/SP
  • 23 e 24/janeiro, em Belém/PR

Investimento: entre em contato com contato@lglsolar.com.br

Ementa Aqui

Cursos de Engenharia

SPDA e MPS

1.Termotécnica

Cursos de SPDA (16hs) e de MPS (8hs) ambos baseados na nova NBR5419/2015.

Quando :

Jan/18 em Porto Alegre/RS e em Fev/18 em São Paulo/SP e Belo Horizonte/MG.

  • Porto Alegre/RS – SPDA nos dias 23 e 24/01 e MPS no dia 25/01
  • São Paulo/SP – SPDA nos dias 5 e 6/02 e MPS no dia 7/02
  • Belo Horizonte/BH – SPDA nos dias 26 e 27/02 e MPS no dia 28/02

Investimento:

  • Sob consulta

Inscrição e ementa AQUI.

 

2.ABNT

Curso de SPDA e MPS ministrado pelo Jobson Modena em SP

Quando : Janeiro –  dias 29, 30 e 31

Investimento: R$ 2.300,00 (descontos para associado ABNT e para pagamento antecipado)

Inscrição e ementa  AQUI.

 

Instalações Elétricas

1. Barreto Engenharia

1.1) Aterramento Elétrico e Proteção de Edificações e Equipamentos Sensíveis

Quando : nos dias 26, 27 e 28/02, em São Paulo, ministrados pelo Álvaro Martins.

Investimento: R$ 2.545,00

Inscrição e ementa AQUI.

2. ABNT

. Instalações Elétricas – Baixa Tensão

2.1Instalações elétricas de baixa tensão I – ABNT NBR 5410:2004 – Proteção e segurança

Quando: 20, 21, 22 e 23/02, ministrado pelo Gilberto Falcoski, em São Paulo.

Investimento: R$ 2.300,00 (descontos para associados da ABNT e para pagamento antecipado)

Inscrição e ementa: AQUI.

. Instalações Elétricas – Média Tensão

2.2Instalações elétricas de média tensão II – ABNT NBR 14039:2005 – De 1 kV até 36,2 kV Proteção, Coordenação, Seletividade e aterramento

Quando: 30, 31/janeiro e 01 e 02/fevereiro, ministrado pelo Gilberto Falcoski, em São Paulo.

Investimento: R$ 2.300,00 (descontos para associados da ABNT e para pagamento antecipado)

Inscrição e ementa AQUI.

. Instalações Elétricas – Aterramento e curto-circuito

3Sistemas de aterramento – Projeto, construção, medições e manutenção

Quando: 17, 18 e 19/01, em São Paulo/SP;

Investimento: R$ 2.150,00 (descontos para associados da ABNT e para pagamento antecipado)

Inscrição e ementa: AQUI.

 

Riscos e cuidados na especificação de equipamentos em CC parte 1

No post de hoje, o 3º artigo da série vencedora do Prêmio Abracopel de Jornalismo – Riscos e cuidados na especificação de equipamentos em CC em sistema fotovoltaico- parte 1

Riscos e cuidados na especificação de equipamentos em CC em sistema fotovoltaico – parte 1

Nos artigos anteriores (você pode ler AQUI e AQUI), busquei justificar que o nível de complexidade de uma instalação fotovoltaica não é tão simples quanto se apregoa e falei dos riscos envolvendo a fixação, içamento e do trabalho em altura em instalações de sistemas fotovoltaicos, mas ainda não tratamos de eletricidade propriamente dito.

Segurança em uma instalação elétrica qualquer, começa necessariamente no projeto. A especificação dos materiais é um conceito de projeto, então, o primeiro item que abordaremos será as especificações dos materiais.

Especificação de materiais

Um item, que quando falamos parece óbvio, mas muitos players não têm se preocupado com isso, é que os materiais e equipamentos no lado de corrente contínua tem que ser apropriados para o trabalho em corrente contínua, para o nível de tensão em corrente contínua e, para alguns produtos, devem ser específicos para instalações fotovoltaicas.

Principais materiais elétricos de um sistema fotovoltaico para o lado de corrente contínua

  • Módulo fotovoltaico
  • Condutores elétricos (cabos)
  • Conectores
  • Disjuntores
  • Fusíveis
  • Dispositivos fusíveis
  • Seccionadores
  • Caixas de junção
  • DPS
  • Inversores

Materiais e/ou equipamentos dimensionados e especificados de forma incorreta, podem causar problemas funcionais ou, pior, trazer riscos à segurança tanto das pessoas quanto ao patrimônio.

Por ser, para nós, brasileiros, uma tecnologia mais nova, a correta especificação gera um razoável nível de dúvidas.

Vamos tentar dirimir as mais graves agora.

Condutores elétricos

As instalações de um sistema fotovoltaico, para o condutor, tem algumas peculiaridades importantes.

Os condutores que estão expostos ao tempo e os que estão juntos as placas sofrem ação dos raios UV e atingem temperaturas mais altas que um cabo utilizado em instalações elétricas em corrente alternada.

Por isso, os condutores precisarão ser capazes de suportar essas duas condições, a alta temperatura e a influência dos raios UV.

Para essas condições, é necessário que se utilize os cabos que atendam a norma EN 50618, os quais tratamos no mercado como cabos solares.

A norma ABNT que tratará desses cabos, NBR 16612, encontra-se em consulta pública, e os principais fabricantes já estão com seus produtos atendendo a norma (na data do artigo original estava em consulta pública, sendo que atualmente já foi publicada).

Os cabos de interligação entre os arranjos series/paralelos e o inversor, em plantas maiores, podem, dependendo do método de instalação não estar expostos a intempéries e aos raios UV, então, não é obrigatório nesses casos que se use os cabos solares.

No entanto, é obrigatório que os cabos sejam do tipo unipolares (aqueles que tem dupla isolação, mas sobre diferenças entre cabos isolados e unipolares AQUI). Em hipótese nenhuma podem ser utilizados cabos isolados (apenas uma isolação), mesmo no interior das caixas de junção (string box);

Cabe ressaltar que o cabo escolhido tem que ter isolação no mínimo igual a tensão máxima de trabalho do sistema, ou seja, se por ventura estivermos utilizando um inversor que tenha tensão de trabalho de até 1200Vcc, os cabos precisarão ter nível de isolamento compatível com essa tensão.

Resumo especificação dos cabos:

equipamentos em CC em sistema fotovoltaico - condutores

Conectores

Em relação aos conectores, a primeira coisa que precisamos saber é que eles precisam ter dupla isolação. Na verdade, todos os materiais e equipamentos no lado de CC do sistema fotovoltaico precisam ter essa condição atendida.

Existem vários modelos de conectores para esse tipo de instalação, mas o modelo MC4, do fabricante Multicontact acabou virando referência e existem uma série de fabricantes que fabricam modelos análogos ou compatíveis com o MC4.

No entanto, muita atenção deve ser dada a esse ponto. A norma 16274:2014 – Sistemas fotovoltaicos conectados à rede – Requisitos mínimos para documentação, ensaios de comissionamento, inspeção e avaliação de desempenho, coloca como exigência que plugues e soquetes conectados entre si sejam do mesmo tipo e do mesmo fabricante.

Essa exigência também consta da IEC 62548:2016 e do projeto de norma de instalações elétricas de baixa tensão – arranjos fotovoltaicos.

A justificativa técnica é que não há norma de produto para esses conectores, e sim de desempenho. Dessa forma, detalhes de molde, folgas e etc são de escolha e domínio de cada fabricante, podendo, em caso de utilização de plug de um fabricante e soquete de outro fabricante gerar mal contato, mesmo sendo de modelos a princípio compatíveis.

Esse é um ponto que cria uma série de dificuldades, pois os painéis já vêm com seus próprios terminais, o que nos obriga a comprar do mesmo modelo e fabricante, ou então, trocar os dos painéis, gerando mais custo, mais trabalho e o risco de perda de garantia do fabricante.

Apesar de ser um ponto polêmico, isso já está na norma de comissionamento desde 2014 e a grande maioria dos instaladores desconhece essa exigência.

Como sempre, a tensão de isolação do conector deve ser maior que a máxima tensão de trabalho do arranjo.

Disjuntores

Esse talvez seja um dos pontos mais problemáticos.

Primeiro, ao especificarmos um disjuntor para qualquer tipo de aplicação, devemos especifica-lo para a tensão, corrente, frequência e capacidade de interrupção compatíveis com a instalação.

Então, qualquer disjuntor a ser usado em corrente contínua, deveria, no mínimo, ser fabricado para atuar em corrente contínua.

Realizando uma consulta ao ABNT Catalogo, temos que as normas de disjuntores nacionais são:

  • ABNT NBR IEC 60947-2:2013 – Dispositivo de manobra e comando de baixa tensão Parte 2: Disjuntores, cujo objetivo é:

Esta Norma se aplica a disjuntores cujos contatos principais são previstos para serem conectados aos circuitos com tensão nominal não superior a 1000 V de corrente alternada ou 1500V de corrente contínua; contém, também, requisitos adicionais para disjuntores com fusíveis incorporados.

  • ABNT NBR NM 60898:2004 – Disjuntores para proteção de sobrecorrentes para instalações domésticas e similares (IEC 60898:1995, MOD), cujo objetivo é:

Fixa as condições exigíveis a disjuntores com interrupção no ar de corrente alternada em 50 ou 60 Hz tendo uma tensão nominal até 440 V (entre fases), uma corrente nominal até 125 A e uma capacidade de curto-circuito nominal até 25 000 A.

Então, os mini disjuntores, que atendem a norma NBR NM 60898 NÃO podem ser utilizados em corrente contínua.

Caso se deseje ou se opte por usar mini disjuntores, deve-se usar os que atendam a IEC 60898-2:2016, cujo o escopo abrange corrente contínua até 440V.

Antes de se realizar a compra, deve-se observar se o disjuntor, além de ter sido fabricado conforme norma que englobe a CC, se foi fabricado para tal, visto que o fabricante pode ter feito aquela determinada linha de produtos para apenas CA, por exemplo.

Fusíveis

Existe uma série de tipos e modelos de fusíveis, cada um com sua aplicação distintas.

Os fusíveis para uso em sistemas fotovoltaicos só podem ser do tipo g, que atenda a norma IEC 60269-6. Em hipótese nenhuma pode ser usado outro tipo de fusível.

As instalações de sistemas fotovoltaicos conectados à rede (e sem acondicionamento de carga) tem duas peculiaridades que são importantes para proteção, que é o fato das correntes de curto-circuito não serem muito maiores que as correntes nominais e a capacidade de formar e sustentar arco elétrico com correntes não muito superiores a corrente de operação

Fontes consultadas:

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 10899:2013 : Energia solar fotovoltaica — Terminologia. Rio de Janeiro: ABNT, 2013. 11p.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. Texto base Projeto de Norma de Instalações elétricas de Baixa Tensão – Arranjos Fotovoltaicos. Rio de Janeiro, ABNT, 2016.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. Projeto de Norma de NBR 16682 – Cabos de potência para sistemas fotovoltaicos não halogenados, isolados, com cobertura, para tensão de até 1,8kVcc entre condutores – Requisitos de desempenho. Rio de Janeiro, ABNT, 2017.

Artigo publicado originalmente na revista Lumière Electric 228 – Link da revista AQUI

Imagem de capa:  Designed by Freepik

segurança em sistema fotovoltaico

Sou finalista do Prêmio Abracopel de Jornalismo, com minha coluna Espaço Solar, na Revista Lumiere, com a série de artigos de Segurança em Sistemas Fotovoltaicos.

Resolvi, nos próximos posts, transcrever os artigos da série que é finalista no blog.

Segurança em sistemas fotovoltaicos de microgeração distribuídas conectadas a rede

 

A possibilidade dada pela resolução normativa (REN) n° 482/2012 (e suas alterações pela REN 687/2015) da Agencia Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) que permitem o acesso ao sistema de distribuição de energia elétrica e o sistema de compensação de energia elétrica tem propiciado uma alta expansão desse mercado.

Essa expansão se deu tanto no número de consumidores (residências, comércios e indústrias) gerando parte ou toda sua energia como de empresas fornecedoras de materiais e de serviços.

Muitos desses prestadores de serviços são de pequenas empresas, sendo inegável, principalmente nesse momento que o país atravessa, da importância de se criarem empresas e empregos.

No entanto, por mais que se apregoe nos treinamentos dados pelas empresas de treinamento ou pelas empresas distribuidoras dos sistemas fotovoltaicos (popularmente conhecidos como kits solares) que a instalação e o projeto são simples, esses sistemas são geradores elétricos, e eletricidade oferece riscos, e sem as devidas precauções, MATA.

Como está o mercado hoje

Tratando apenas do mercado de microgeração distribuída (potência <75kWp), o mercado pode ser dividido conforme figura abaixo:

 

Segurança em sistemas fotovoltaicos - mercado fotovoltaico atual

Os fabricantes/montadores de kit compram (no mercado nacional ou no exterior) os equipamentos necessários para a montagem de um gerador fotovoltaico e preparam soluções padronizadas para a venda, principalmente para as empresas de instalações.

A fim de desenvolver mercado, essas empresas passaram a dar treinamento para os integradores, que com isso estariam (na visão dessas empresas) aptos a dimensionar e a instalar seus produtos.

Com o crescimento do mercado, empresas especializadas em treinamento no setor de energia solar surgiram, agora não necessariamente ligadas a fabricantes ou montador de kits.

Após isso, o número de empresas que oferta a venda e instalação de geradores fotovoltaicas cresceu vertiginosamente.

É de senso comum do mercado que o dimensionamento, a instalação e a manutenção e operação desse sistema é simples e de baixo risco.

Essa conclusão é perigosa. Vejamos por que.

Projeto de um sistema de fotovoltaico – Complexidade

Podemos ter uma noção da complexidade real, ou melhor do nível de conhecimento normativo e técnico que se deve ter pelo número de normas e regulamentos que se deve conhecer para executar o serviço.

Na figura 1, podemos ver as principais normas para cada parte da instalação (CC ou CA) e que certos equipamentos possuem diferentes normas, não podendo utilizar um no local de outro.

Segurança em sistemas fotovoltaicos - complexidade sistema fotovoltaico

A Nr-10 é aplicável para qualquer tipo de instalação, seja baixa ou alta tensão, seja em corrente alternada, seja em corrente contínua, desde a fase de projeto até a operação e manutenção e desde a geração ao consumo, passando pela transmissão de distribuição.

A NBR5410, em seu escopo, inclui instalações em CA até 1000V e em CC até 1500V, dessa forma, uma instalação fotovoltaica precisa seguir suas premissas.

Qualquer estrutura precisa ser avaliada quanto a necessidade ou não de proteção contra descargas atmosféricas e como parte da instalação de uma geração fotovoltaica está instalada na área externa, essa instalação sempre vai obrigar a rever se o conjunto de medidas de proteção contra descargas atmosféricas continua satisfatório ou não após a instalação do sistema.

Um sistema conectado à rede também demanda uma interface com a concessionária, visto que estaremos interligados ao sistema elétrico de potência, dessa forma, seus regulamentos técnicos para interconexão também precisarão ser atendidos.

Para as normas citadas acima, a priori, qualquer empresa ou profissional do setor de instalações já deveria ter domínio, então, a complexidade de uma instalação fotovoltaica residencial seria a mesma que o da instalação elétrica da própria casa.

Diferenças de uma instalação fotovoltaica

No entanto, a parte de corrente contínua de uma instalação fotovoltaica tem algumas peculiaridades do dia a dia normal de um profissional de instalações:

a) Tensão em CC elevada

Quando falamos em corrente contínua, os primeiros valores que vem mente dos profissionais de instalações são tensões baixas, na faixa de 12 a 48Vcc ou em aplicações especificas de 125Vcc, tensões essas que trabalhamos sem muitas preocupações, visto estarem na faixa de extra baixa tensão.

Mas, as tensões de trabalho são da ordem de 600Vcc, chegando a 1000Vcc em alguns inversores;

b) Baixa corrente de curto-circuito

Em corrente alternada, os princípios de proteção contra choques elétricos (contatos indiretos) por seccionamento automático da alimentação que utilizamos parte do princípio que as massas estão ligadas à condutores de proteção (“terra”) e que deve haver um dispositivo de proteção que seccione o circuito sempre uma falta entre parte viva e massa der origem a uma tensão de contato perigosa.

Para isso, usamos disjuntores ou interruptores DR (decisão tomada em função do tipo de aterramento da instalação e das cargas a serem protegidas). Esse conceito de proteção está intrinsicamente relacionado com a ordem de grandeza da corrente de curto-circuito nessas situações.

No entanto, em sistemas fotovoltaicos interligados a rede e sem acumulador de carga a corrente de curto-circuito no lado de corrente continua é um pouco superior a corrente nominal, sendo necessário o uso de premissas diferentes.

c) Sem botão de desliga

Ao contrário de um gerador a combustão ou da entrada de energia da concessionária, os painéis solares não possuem botão de desliga. Se há luz solar, então existe tensão nos terminais dos painéis;

Como deveria ser o mercado então?

A maiorias das empresas fabricantes/montadores do chamado gerador fotovoltaico não possui corpo técnico com conhecimento em instalações ou esse corpo técnico não se preocupa ou não conhece as necessidades e riscos de instalações, nem se preocupa com a adequação dos produtos importados às normas e cultura nacionais.

De imediato (o assunto será abordado mais a fundo em um próximo artigo) podemos chamar atenção para os dispositivos de proteção contra surtos (DPS).

A norma ABNT vigente NBR IEC 61643-1 de 11/2007 (Dispositivos de proteção contra surtos em baixa tensão – Parte 1: Dispositivos de proteção conectados a sistemas de distribuição de energia de baixa tensão – Requisitos de desempenho e métodos de ensaio) tem em seu escopo DPS em corrente contínua além dos de corrente alternada, mas na Europa, existem normas mais novas visando apenas o uso do DPS em sistemas fotovoltaicos, em função de suas peculiaridades.

E essas diferenças tem impacto na segurança, com isso, o fato de ainda não termos uma norma especifica para o assunto, permite a alegação de que o DPS cujo os ensaios e desempenham atendam a NBR IEC 61643-1 podem ser usados em sistemas fotovoltaicos, mas na verdade não deveriam ser usados.

Quem deveria se preocupar?

Seria muito mais simples que os fabricantes se preocupassem com isso, pois provavelmente eles têm mais conhecimento sobre as diferentes normas estrangeiras, do que deixar para as instaladoras descobrirem que nossa norma não previa o sistema fotovoltaico (a revisão da norma é de 2007).

Temos que as empresas de treinamento, em quase sua totalidade, considera que ensinando a estimar a geração de energia e se comprando um kit está resolvido. Em virtude disso, dessa falsa simplicidade vendida, as instalações estão sendo feitas sem o devido projeto elétrico, que é a peça principal para segurança.

Juntando a premissa errônea que o fabricante de kit/fornecedor oferta um produto dentro dos princípios normativos de instalação (ele fornece com os requisitos de fabricação, no entanto, pelas suas características, a grande maioria não poderia ser instalado em residências, mas esse conhecimento é de instalações e não de fabricação) com a ideia de que um curso de 16 horas de integrador permite dimensionar e instalar um gerador fotovoltaico, temos todos os ingredientes necessários para que tenhamos a ocorrência de acidentes.

Se dividirmos as etapas da cadeia de suprimento de instalações de sistemas fotovoltaicos em função do exposto anteriormente, teríamos o mercado com as oportunidades/nichos conforme figura abaixo.

Segurança em sistemas fotovoltaicos - como o mercado fotovoltaico deveria ser

E já tivemos acidentes…

Apenas para citar, no dia 21/11/2016 houve um princípio de incêndio de uma instalação fotovoltaica em Uberaba, MG, em uma residência onde reside uma senhora acamada e mantida por aparelhos e no dia 25/11/2016 um trabalhador que instalava painéis solares caiu do telhado de uma agência da CEF em Ituiutaba, MG.

Dessa forma, o mercado deveria/precisa de treinamentos voltados para projetos elétricos, para profissionais que já conhecem as normas de instalações, análogo ao que temos de cursos em sistemas EX.

Precisa também que os players do mercado entendam aquilo que podem ou não fazer, e não trato do que diz o sistema CREA/CONFEA quanto às atribuições legais, não é essa a preocupação nos artigos em que abordarei sobre o assunto, mas sim no que eles realmente sabem fazer.

Tendo isso em mente, iniciarei uma série de artigos com problemas ou vícios que temos cometido quanto a segurança no quesito de instalações nos sistemas fotovoltaicos conectados à rede.

Devemos todos nos lembrarmos que nossas falhas põe a vida e o patrimônio das pessoas em risco.

Fontes consultadas:

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 5410:2004 Instalações elétricas de baixa tensão. Rio de Janeiro: ABNT, 2004. 209p.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 10899:2013 : Energia solar fotovoltaica — Terminologia. Rio de Janeiro: ABNT, 2013. 11p.

COTRIM, Ademaro A. M. B. Instalações Elétricas. 5 ed. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2009.

FRANCO, Vinicius Ayrão. Energia Solar é limpa, abundante, confiável e segura. SEGURA?? #SQN. Rio de Janeiro, 2016. Disponível em https://www.linkedin.com/pulse/energia-solar-%C3%A9-limpa-abundante-confi%C3%A1vel-e-segura-sqn-vinicius-ayr%C3%A3o?trk=mp-author-card Acessado em 21/01/2017.

Artigo publicado originalmente na revista Lumière Electric 226 – Link da revista AQUI

Imagem de capa de Created by Xb100 – Freepik.com – Designed by xb100 / Freepik

Minha  proposta de analisar o software Solergo (post anterior aqui) a fim de contribuir para quem se interessar em adquirir o software. No post de hoje, vou tratar do estudo de sombreamento e inserção de novos equipamentos..

Itens da análise

1. o software é intuitivo? A curva de aprendizado é traumática ou simples? Visto no post 1
2. A inclusão de equipamentos que não constam da base de dados é possível? É simples?
3. Faz estudo de sombreamento? É simples? Excessivamente complexo?
4. Os valores estão compatíveis com os que encontramos em nossos cálculos?
5. A importação do autocad como é? Funciona? Traz valor para quem usa?
6. Diferenciais (opções únicas) que outros softwares não possuem. Existem? Elas tem valor para quem usa?
7. O esquema unifilar que é gerado, é aceitável? pode ser exportado para o CAD, caso seja parte de um projeto maior?
8. O tempo de execução comparado um com o outro
9. Dimensionamento elétrico em CC. O cabeamento é dimensionado de acordo com o nosso projeto de norma? E a proteção/seccionamento?
10. Análise econômica: Comparação com os valores de TIR/VPL e fluxo de caixa descontado com planilha excel, formulada e desenvolvida por mim;
11. Análise do relatório técnico final gerado.
12. Instalação do Software Visto no post 1

Como compramos sistema FV

Em virtude dos benefícios tributários, para o integrador sai mais barato comprar o conjunto painel fotovoltaico x inversor do que comprar separadamente.

Por isso, nossa flexibilidade de escolha de painéis e inversores fica limitada aos distribuidores que usamos. Eventualmente, o inversor e/ou o painel disponível em nossos fornecedores não consta do banco de dados do Solergo.

Como resolvemos esse problema?

Inserindo um novo painel fotovoltaico

Após cadastrarmos as informações iniciais do cliente (local, posição dos módulos, inclinação, etc), vamos inserir o módulo.

Como você pretende usar um sistema da Globo Brasil.

Veja,a seguir, a sugestão de passo-a-passo no Solergo para a escolha do módulo :

1 Clicar em componentes no menu esquerdo

 

2 Clicar em selecionar, ao lado de Módulo Fotovoltaico

3 Nesta fase, aparecerá um menu com todos os painéis que constam em seu banco de dados. No menu esquerdo temos a opção de filtrar por fabricante. Indo para a letra G, vemos que não tem Globo Brasil no meu banco de dados (eu apaguei antes, para o post 🙂 ).

 

4 Isso pode acontecer para um novo fabricante; precisamos então cadastrá-lo. No canto superior direito da tela de Módulos fotovoltaicos (ou Ctrl+N);depois ao lado de fabricante nos ….;na nova tela em novo novamente;

 

5 Informe o nome do fabricante e o código (de sua escolha).

6 Após isso, voltando a tela “inserir um novo módulo” aparecerá o fabricante Globo Brasil.

7 Precisamos agora do Datasheet do módulo que iremos usar e inputar os dados. Vamos usar o do painel GBR 315P

8 Preenchendo os dados, a tela ficará assim:

9 Clicando em Características, podemos inserir o restante dos dados do Datasheet

Pronto, módulo lançado e escolhido.

A inserção de um novo modelo de inversor é análoga ao de um novo painel.

Bem simples e sem traumas.

Estudo de sombreamento

Um dos principais motivos para o uso de um software para dimensionamento de sistemas FV é o estudo de sombreamento. O Solergo, também faz esse estudo.

Lembrando que neste post não temos a visão do projeto como um todo, do inicio ao fim. O foco é apenas o sombreamento; logo, já inputei no software os dados do gerador adotado.

Para estudar o sombreamento, precisamos, primeiro, inserir a planta baixa, ou melhor, a planimetria (o termo que o Solergo usa). Você pode inserir uma imagem do Google Maps ou um desenho em dwg.

Ao clicarmos em inserir imagem do Google maps, vai aparecer o endereço que lançamos nos dados iniciais do projeto. Ampliamos ao máximo e damos OK, planimetria inserida.

 

 

Agora, precisamos inserir os módulos. Como, anteriormente, já dimensionamos qual e quantos módulos vamos usar, a inserção é simples.

Pronto. Nesse momento, vamos ver qual a geração estimada nessas condições se não houver nada fazendo sombra.

Essa edificação é uma laje plana; no entanto, há uma edificação um pouco mais alta, que é a saida da escada, e uma mureta de 1,20 metros na periferia.

O Solergo não faz um desenho em 3D, precisamos inserir os obstáculos, para que a simulação ocorrer.

Em verde estão as muretas e em marrom a estrutura que comporta a escada.

 

Após a inserção dos obstáculos, iniciamos a simulação. Na imagem a seguir, um print mostrando o sombreamento em um determinado momento.

Após isso, o sistema retorna a nova geração de energia, considerando as perdas.

 

Respondendo as perguntas

A inclusão de equipamentos que não constam da base de dados é possível? É simples?

Podemos usar qualquer distribuidor de kit (gerador fotovoltaico), pois a inserção de equipamentos novos ou que não constam da base de dados é relativamente simples.

Faz estudo de sombreamento? É simples? Excessivamente complexo?

O estudo de sombreamento, uma ferramenta importante, tem como ponto alto podermos usar uma base em dwg ou imagem do Google maps.

No próximo post vamos tratar da interface com o autocad e a geração de esquemas unifilares.

 

 

 

Salvar

No sábado, dia 8/07, estive presente no Ecori Road Show, falando sobre segurança em FV.

E você perdeu? Trecho da minha palestra no Ecori Road Show

Eu falei, ou melhor reclamei, sobre segurança. Eu afirmei que estamos fazendo errado. Eu afirmei que tem muito fabricante e distribuidor aproveitando de ausências de informações nas normas nacionais para expor as pessoas ao perigo.

Eu afirmei que ao comprar um KIT fotovoltaico estamos terceirizando o nosso projeto mas assinando por ele e assumindo a responsabilidade.

Discorda de mim? Ligue para seu fornecedor e pergunte de seu DPS. Verifique sua string box CA+CC se a norma permite ou não. Teu sistema é hibrido? Verifica se te venderam o disjuntor com a capacidade de interrupção correta.

Segurança é dever de todos nós.

#conhecimentodivididomultiplica #eletricidadecomsegurança #fvcomsegurança

Qual o software para dimensionamento de energia solar devo usar? Preciso de um? O investimento vale a pena? Com essas questões em mente, farei posts com minhas impressões/opiniões sobre o Solergo e seus usos para projetos de micro-geração e mini-geração distribuída.

Por que o Solergo?

Como boa parte das pequenas empresas ou de engenheiros autônomos que atuam na área de GD, começamos, ou buscamos começar com software gratuitos ou o uso da velha e boa planilha excel.

Fiz o curso de PVsyst, mas só precisei usar 3 meses depois, o que significa que a licença de um mês já tinha expirado e mais importante do que isso, eu não lembrava mais de nada.

Como o Solergo é o primeiro em português e adaptado às nossas normativas, resolvi estudar.

Como farei a análise

Meu objetivo é responder ou emitir juízo de valor sobre os seguintes pontos do Solergo

  1. o software é intuitivo? A curva de aprendizado é traumática ou simples?
  2. A inclusão de equipamentos que não constam da base de dados é possível? É simples?
  3. Faz o estudo de sombreamento? É simples? Excessivamente complexo?
  4. Os valores estão compatíveis com os que encontramos em nossos cálculos?
  5. A importação do autocad como é? Funciona? Agrega valor para quem utiliza?
  6. Diferenciais (opções únicas) que outros softwares não possuem, existem? Os diferenciais acrescentam?
  7. O esquema unifilar gerado, é aceitável? pode ser exportado para o CAD, caso seja parte de um projeto maior?
  8. Tempo de execução comparado um com o outro.
  9. Dimensionamento elétrico em CC. O cabeamento é dimensionado de acordo com o nosso projeto de norma? E a proteção/seccionamento?
  10. Análise econômica: Comparação com os valores de TIR/VPL e fluxo de caixa descontado com planilha excel, formulada e desenvolvida por mim;
  11. Análise do relatório técnico final gerado.
  12. Instalação do Software

Primeiras impressões

Instalei nos três computadores disponíveis para testes : 2 notebooks (um Sony Vaio e um Dell) e um desktop. Todos com Windows 8 ou 10, com I3 ou superior.

Não houve travamento observado em nenhum deles.

O software é intuitivo?

Uma dica: o Excel não faz de você um matemático, o Word não transforma você num Carlos Drummond de Andrade, assim como, o Autocad não faz de você um desenhista.

NENHUM software para sistemas fotovoltaicos vai transformar você em um projetista. Então, presumo que, no mínimo, os conhecimentos básicos em dimensionamento FV você possua.

Partindo deste principio, vamos lá!

Iniciando o software

O software está em português, já facilita e muito. A primeira tela, de dados gerais do sistema, é bem intuitiva, com um ícone do google maps.

Tela inicial do Solergo

Clicamos em “mapa”, abre o “googlemaps”, digita o endereço, acha no google e pronto. O software carrega o endereço da instalação.

Clicando em “avançar” você irá para a próxima tela, de localização. Minha primeira dúvida surgiu neste ponto, sobre o que era aquela localidade. Chamei o menu de ajuda, e dúvida sanada: escolha o local mais próximo daquele que o sistema possui dados climáticos.

O guia do Solergo mostra como importar novos dados, mas no momento não é este o foco.

Ele apresenta duas fontes de dados, uma denominada ATLAS BRASILEIRO e outra Electrographics.

  • ATLAS BRASILEIRO: com base de dados SONDA emitido pelo INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais); são disponíveis os dados de irradiação das mais importantes localidades do território brasileiro, separados dos relativos dados de radiação solar direta e difusa.
  • Electro Graphics: banco de dados de radiação de locais internacionais derivadas de medições por satélites.

E por ultimo, você pode escolher o tipo de terreno para determinar a reflexão média.

Localização / Albedo

As próximas telas são para “inputar” dados do Cliente, de consumo e do projetista . Essas informações servirão para o memorial descritivo. No momento, minha análise é se o dimensionamento é intuitivo. Voltaremos a essa parte futuramente.

Inputando informações para dimensionamento

A próxima tela é para determinar a orientação dos módulos.

Se determina o Azimute e a inclinação. O Solergo também te dá a opção de calcular a inclinação apropriada.

Azimute e inclinação

Na tela seguinte, devemos fornecer as informações da concessionária, se a conexão é em BT ou MT, monofásico, bifásico ou trifásica e tensão.

Aqui também, tudo bem intuitivo.

Escolhendo os componentes

Bom, se você é um integrador, provavelmente compra os kits montados de empresas como a Ecori (microinversores Apsystem), da Aldo, Sices ou da L8 Energy (nova empresa no mercado). Então, a questão é: os componentes desses kits estão nas opções do Solergo?

Escolha do painel

Feito isso, vamos escolher os inversores. Nesse momento, para definir a potencia do(s) inversor(es) podemos entrar com o numero de módulos, área ou a potência que queremos do sistema, pois o software calcula as outras duas variáveis.

Nesta etapa, você pode escolher o inversor do seu kit ou usar o dimensionamento assistido. Como normalmente estamos “presos” ao Kit, não vamos usar muito o dimensionamento assistido (pelo menos eu acho). 🙂

Inversor escolhido

Como podemos ver na figura acima, o Solergo verifica se tensão, corrente e potência (a faixa de trabalho de potencia é configurada) estão ok.

Vamos alterando a quantidade até que todos os itens estejam nas faixas esperadas.

Configuração ok

Considerações iniciais

Como descrevemos, em poucos passos, temos o valor de energia produzida. É obvio que ainda falta muito para ser um projeto sério: vamos a isso nos próximos posts.

Respondendo a minha primeira pergunta:

O software é intuitivo? A curva de aprendizado é traumática ou simples?

Sim, é bastante intuitivo, e o aprendizado, até o momento, sem traumas.

No próximo post, veremos a inclusão de equipamentos que não estão na base de dados e o estudo de sombreamento.

 

O ultimo post sobre cursos de Energia Solar rendeu confusão. Mas, sou teimoso, continuo com meu juízo de valor. 🙂

Paraná Solar / Renew Energia

curso solar parana solar

 

A turma de Julho já está esgotado, pelo visto, está sendo um sucesso, resta agora a turma de agosto.

Próximas turmas em Maringá/PR:

  • 26 a 29/07 – Vagas esgotadas
  • 30/08 a 02/09 – Matrículas abertas

Investimento:

  • R$ 2.200,00 a vista no cartão de crédito, débito, boleto bancário ou em até 12x* no cartão de crédito, OU com desconto de 5% para pagamentos a vista através de transferência bancária
    * parcelamento pelo pagseguro UOL, com taxa de juros vigente no momento da matrícula.

Inscrições AQUI.

Extecamp – Unicamp

A Extecamp possui 3 cursos sobre energia solar, idealizados pelo Prof. Marcelo Gradella Villalva.

1)Introdução à Energia Solar Fotovoltaica – Sistemas Isolados e Conectados à Rede

Próximas datas:

  • 7 e 8/7, na Unicamp, em Campinas/SP;
  • 29 e 30/07, na Unicamp, em Campina/SP;

Investimento: R$ 860,00 (R$ 645,00 para estudantes)

2) Projeto e Dimensionamento de Usinas Solares e Sistemas Fotovoltaicos de Geração com PVSYST

Próximas datas:

  • 9 e 10/7, na Unicamp, em Campinas/SP;

Investimento: R$ 1490,00 (R$ 1.117,50 para estudantes)

 

Incrições AQUI.

LGL Treinamentos

O post sobre cursos de energia solar me rendeu 2 contatos no mês passado. Um, reclamando que não citei outros, que a critério dele são bons e eu fui irresponsável (e isso porque não falei mal de ninguém).

O segundo, foi um convite do Luis da LGL para assistir parte do curso e poder indicar se achasse válido.

O convite foi aceito, assisti mais ou menos umas 2 horas da parte do curso que falava sobre dimensionamento.

Bem completo, bem dinâmico, com isso, a LGL entra na lista de indicados também.

1) Curso Completo de Integrador e Instalador Solar (4 dias)

  • 10 a 13/07, em São Paulo/SP
  • 24 a 27/07, em São Paulo/SP

Investimento: Entre em contato com contato@lglsolar.com.br

Ementa Aqui

2) A LGL tem ainda os cursos de:

  • Curso Completo Integrador e Instalador Solar 2 dias em SP;
  • Curso Teórico de Projeto e Dimensionamento 2 dias

Para saber mais, visite o site da LGL – www.lglsolar.com.br/cursos