No último post, expliquei sobre a diferença de demanda e consumo e as diferenças tarifárias. Nesse post, vou falar sobre quais valores de consumo se usar como base para calcular FV para clientes do grupo A e sobre o fluxo de caixa para esse tipo de cliente.

Na figura abaixo vemos a representação do sistema elétrico da geração até o cliente final.

setor-eletrico
detalhe-1

A instalação de um típica de um cliente do grupo A é:

cliente-grupo-a

Precisamos agora conhecer algumas coisas. Quando solicitamos a concessionária a energização de um cliente do grupo A, duas informações são importantes:

1) Potência instalada: A potência instalada é a soma das potências dos transformadores, em kVA. Esse valor é importante para a concessionária, pois ela precisa estudar se seu sistema tem condição de atender a toda essa carga, e fazer as adequações necessárias. Esse valor também servirá como balizador da máxima demanda que esse consumidor pode contratar.

2) Demanda contratada: A demanda contratada é o valor que o cliente, após estudo por um especialista, contrata junto a concessionária (leia o post Demanda? Fora de Ponta? Horo Sazonal? Traduzindo o “Elitricitrês”). Esse valor está limitado a 0,92 x a potencia instalada.

Dimensionando a FV

Como vimos no post passado ( Demanda? Fora de Ponta? Horo Sazonal? Traduzindo o “Elitricitrês” ) a conta de um cliente do grupo A tem dois consumos, o consumo FP e o consumo na ponta. A principal dúvida que as pessoas tem é qual o consumo que uso para calcular quanto meus sistema de FV precisa gerar. Lembremos que a geração de energia FV se dá no período do dia, ou seja, praticamente apenas no horário fora de ponta (o medidor da concessionária medirá separadamente também a energia injetada), para facilitar o exemplo, vamos considerar que só há excedente de energia no horário fora de ponta. De acordo com o Caderno Temático de MicroGeração e MiniGeração Distribuída, publicado pela ANEEL, temos:

Para as unidades consumidoras que dispõem de tarifa horária, a energia injetada deve ser utilizada, prioritariamente, para abater o consumo mensal no mesmo período (ponta ou fora ponta). Caso haja sobra, esse saldo será utilizado para reduzir o consumo no outro posto tarifário, após a aplicação de um fator de ajuste.

Vamos pegar então uma das contas do post anterior.

conta-hsverde

Vou simplificar os cálculos de geração aqui, presumo que se você está lendo esse post, como calcular qual a potência em FV que você precisa dado o consumo seja de seu domínio. Dessa forma, vou considerar que cada 1kWp gera 121kWh médio/mês.

Então, o cliente acima tem de consumo fora de ponta o valor de 81.195kWh/mês. Dessa forma, para gerarmos essa energia toda, teríamos que instalar 670kWp (81195/121).

Dessa forma, instalando 670kWp, o cliente pagaria apenas o Consumo na Ponta e os valores de Demanda (tem mais coisa, acalme-se).

No entanto, queremos que o cliente também gere energia suficiente para compensar a energia no horário de ponta.

A energia consumida na ponta foi de 8163kWh. No entanto, a energia gerada foi no fora de ponta, então precisamos usar um fator de ajuste.

Como calcular o fator de ajuste?

O fator de ajuste é a tarifa de energia do horario onde foi gerado dividido pela tarifa de energia onde eu quero compensar, no nosso caso, TEFP/TEP.

No nosso exemplo, FA = 0,37567716/0,59195628 = 0,6346272059. Dessa forma, precisamos gerar uma energia no horario FP de forma que multiplicado pelo FA o resultado seja 8.163. Podemos então, escrever a seguinte equação:

EGFP * FA = ECP, onde:

EGFP = Energia gerada fora de ponta

FA = Fator de ajuste (varia de concessionária para concessionária)

ECP = Energia consumida na ponta

Com isso, para o nosso cliente em questão, temos que:

EGFP * 0,6346272059 = 8.163

EGFP = 8.163/0,6346272059 = 12.862,67 kWh/mês.

Como o consumo na fora de ponta é de 81.195kWh/mês, mas o excedente que precisamos gerar para também abater o horário de ponta (12.862,67), precisamo gerar 94.054,67kWh.

Como definimos que cada 1kWp produzirá 121kWh/mês, precisaremos então de aproximadamente 780kWp.

Aprendi a calcular, agora, posso dar o preço ao meu cliente? Ainda não!!!!

No inicio do post eu disse que:

Quando solicitamos a concessionária a energização de um cliente do grupo A, duas informações são importantes:

  1. Potência instalada;
  2. Demanda Contratada;

Em um cliente do grupo A, NÃO PODEMOS INSTALAR MAIS PLACAS DO QUE A DEMANDA CONTRATADA A POTÊNCIA DO GERADOR FV NÃO PODE SER MAIOR QUE A DEMANDA CONTRATADA.

Ou seja, nesse cliente do exemplo, como a demanda contratada dele é de 300kW, só podemos instalar 300kW de sistema FV. Com isso, a geração de energia será menor do que a queríamos anteriormente.

P.S. Para a Aneel, a potência do sistema FV é a menor potência entre a potência de módulos FV(kWp) e a potência dos inversores (kWca).

P.S. 2 Agradecimentos ao Luiz Paulo que me aviso do erro anterior.

P.S.3 Para esse exemplo especifico, considerei que a potência dos módulos é igual as do inversor.

Mas, eu posso aumentar a demanda contratada?

Sim, você pode, mas quando fizer isso, a parcela a pagar de demanda, que é fixa, vai aumentar, o que mudará a análise financeira.

E eu posso aumentar a demanda contratada para qualquer valor?

Não, ela não pode ser maior que 0,92 * a potência instalada. Se você aumentar a potência instalada, além da parte de engenharia legal junto a concessionária, você ainda precisará investimentos físicos na entrada de energia, com isso, além dos custos mensais com o  aumento de demanda, o custo de implantação ainda aumentará.

fluxo-fv

Entendendo o fluxograma acima…

  1. Calcula-se a potência de FV necessária para atingir os objetivos, normalmente, zerar o consumo do horário Fora de Ponta e do horário de Ponta.
  2. Compara se a potencia de FV (PS = Potência Solar :)) é menor que a demanda contratada (DC). Se for menor, faz-se a análise financeira, o orçamento e a proposta para o cliente.
  3. Se a potência em FV for maior que a demanda contratada, precisamos ver qual a potência instalada do cliente oficializada junto a concessionária. Se a potência instalada multiplicada por 0,92 for maior do que a potência em FV que precisamos, precisaremos apenas aumentar a demanda contratada.
  4. Faremos 2 análises financeiras, sendo uma aumentando a demanda contratada e outra sem aumentar a demanda contratada mas reduzindo a geração de energia. Após isso, fazemos o orçamento com as duas hipóteses para o cliente;
  5. Se, no entanto, a potência instalada multiplicada por 0,92 for menor do que a potência em FV que precisamos, será necessário um aumento de carga. Deveremos orçar esse serviços de aumento de carga, (com uma empresa especializada caso isso não seja nossa expertise, dependendo da potência e do estado que encontre-se a subestação, os custos podem ser muito altos).
  6. Faremos novamente 3 análises financeiras, a primeira aumentando a demanda contratada e com os custos de aumento de carga e outra sem fazer aumento de carga e aumentando a demanda contratada até o limite mas reduzindo a geração de energia, e a terceira, sem aumento de carga ou de demanda contratada e reduzindo mais ainda a geração de energia. Após isso, fazemos o orçamento com as três hipóteses para o cliente;
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Vamos fazer na prática

Vamos supor que os dados de conta representado a seguir se repita os 12 meses do ano. Os dados do cliente (reais) são os seguintes:

  • Município: Rio de Janeiro
  • Potência instalada: 500kVA
  • Descrição da entrada de energia: Subestação convencional, disjuntor PVO (AEG) com proteção secundário, relé Schlumberger.
  • Tarifa: Horo Sazonal Verde
  • Demanda Contratada: 300kW
  • Custo do kWp instalado: R$ 6.500,00
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Como já vimos, anteriormente, esse cliente precisaria de cerca de 780kWp para zerar a conta de energia. Vamos ao Fluxograma então.

780 é <300? Não, ou seja, precisaremos aumentar a demanda contratada. 780 é < 500*0,92? Não, precisaremos aumentar a potência instalada também. A potência instalada mínima que precisaríamos seria de pelo menos mais 350kVA, como o próximo transformador comercial é de 500kVA, precisaremos aumentar a subestação de 1x500kVA para 2x500kVA.

ANÁLISE 1 – AUMENTO DE CARGA

Primeira coisa que se precisa fazer, caso você não seja especialista em entrada de energia e MT, é encontrar um. Como eu sou, sem problemas até agora.

Pela descrição da subestação e pela atual regulamentação Light, essa subestação precisará passar por um retrofit. Além do novo transformador, será instalado uma cabine blindada, com um novo disjuntor de MT e proteção, adequações no sistema de aterramento, no quadro de distribuição (será necessário colocar os dois transformadores em paralelo, adequações na BT), o que gerará um custo de R$ 300.000,00 fora o sistema de FV.

Para o sistema de FV, a R$ 6.500,00/kWp, será necessário um investimento de mais R$ 5.070.000,00. Dessa forma o investimento total inicial do cliente será de R$ 5.370.000,00.

Após a implantação do sistema, a conta de energia ficará assim:

tabela-11

Com isso, esse investimento gerará uma economia mensal de R$ 50.005,30 ou de R$ 600.063,59.

Análise Financeira 1

Considerando os seguintes parâmetros:

  • Aumento no custo da energia de 8% a.a. nos dois primeiros anos;
  • Aumento no custo da energia de 5% a.a. após os dois primeiros anos;
  • Custo de capital (taxa de desconto) de 10% a.a. (descontados mensalmente)
  • Vida útil do projeto: 20 anos
  • Custo de manutenção 1% a.a
  • Vida útil inversores 15 anos

Teremos as seguintes resultados financeiros:

imagem2

ANÁLISE 2 – AUMENTO DE DEMANDA CONTRATADA

Devemos agora analisar financeiramente sem os custos de reforma da subestação. Para isso, poderemos aumentar a demanda até o limite de 0,92*Potência instalada. Como a potência instalada é de 500kVA, o máximo que podemos instalar será 460kWp (500*0,92).

Com isso, iremos gerar menos energia que pretendíamos, a energia gerada então será: 460kWp * 121kWh/kWp = 55660kWh/mês.

Com isso, não geraremos o suficiente nem para abater toda a energia do horário fora de ponta, ficando a conta de energia da seguinte forma:

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Como não houve aumento de carga, o investimento será apenas nas instalações de FV, que terão o custo de R$ 6.500,00*460 = R$ 2.990.000,00, para se obter uma economia mensal de R$ 28.275,85 ou  R$ 339.310,00/ano.

Análise Financeira 2

Considerando os seguintes parâmetros:

  • Aumento no custo da energia de 8% a.a. nos dois primeiros anos;
  • Aumento no custo da energia de 5% a.a. após os dois primeiros anos;
  • Custo de capital (taxa de desconto) de 10% a.a. (descontados mensalmente)
  • Vida útil do projeto: 20 anos
  • Custo de manutenção 1% a.a
  • Vida útil inversores 15 anos.
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ANÁLISE 3 – SEM ALTERAÇÃO DE DEMANDA

Vamos agora analisar financeiramente sem mexer no contrato tarifário junto a concessionária. Com isso, o máximo que poderemos instalar de placas será a demanda contratada, de 300kW. Iremos gerar ainda menos energia, sendo a energia gerada de: 300kWp * 121kWh/kWp = 36300kWh/mês.

A conta de energia será:

imagem4

Os custos de instalações serão novamente apenas os de instalações da FV, de R$ 6.500,00 * 300kWp = R$ 1.950.000,00, para se obter uma economia de R$ 20.396,58 mensais ou R$ 244.758 anuais.

Análise Financeira 3

Considerando os seguintes parâmetros:

  • Aumento no custo da energia de 8% a.a. nos dois primeiros anos;
  • Aumento no custo da energia de 5% a.a. após os dois primeiros anos;
  • Custo de capital (taxa de desconto) de 10% a.a. (descontados mensalmente)
  • Vida útil do projeto: 20 anos
  • Custo de manutenção 1% a.a
  • Vida útil inversores 15 anos.
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Resumo

Como podemos ver na tabela abaixo, a rentabilidade altera em função da carga instalada e demanda contratada do cliente. A opção de limitar a potência de placas na demanda contratada é a que traz maior rentabilidade, apesar de não zerar o consumo do cliente.

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Qual a melhor opção? Não sei, a escolha é do seu cliente, o dinheiro é dele, ele deve avaliar o que é melhor. Mas, você precisa saber dessas opções, pior coisa que pode acontecer é você não saber e seu concorrente, sim. A percepção que fica é que ele é mais confiável e competente que você.

Limitações

A conta de energia é real. Os custos de instalações em todos os casos estão dentro da ordem de grandeza, mas orçar por kWp é meio forçar a barra para esse tipo de instalação. Considerei também que não há limitação de espaço para a instalação e que não terá sombreamento significante. Na ótica do cliente, que é o que interessa, ainda faltam os custos do acesso e possíveis adequações que ele precise fazer que por ventura não estejam no escopo do FV (exemplos, análise e/ou reforço de estrutura, impermeabilização, dentre outros).

O objetivo é demonstrar que as limitações de um cliente no Grupo A precisam ser analisadas sobre a ótica técnica e financeira.

Salvar

Salvar

Nos últimos dois posts falei sobre tarifas para clientes do grupo A e o impacto nos cálculos geração distribuída fotovoltaica dessas tarifas (Demanda? Fora de Ponta? Horo Sazonal? Traduzindo o “Elitricitrês” e Como calcular FV para clientes do Grupo A).

Mas, não tratei completamente do assunto. Existem umas opções que podem melhorar suas opções.

Tarifação para Clientes do Grupo A – Outras Opções

Como vimos nos posts anteriores, uma das desvantagens da tarifação de clientes do grupo A é que o valor de demanda contratada sempre será pago, e é um valor praticamente fixo quando bem feito o contrato entre a empresa e a concessionária de energia.

Isso reduz a atratividade financeira de instalação de micro geração distribuída para esse tipo de cliente.

No entanto, existem algumas condições que mesmo sendo alimentado em média tensão, o cliente pode optar por uma tarifa do grupo B.

Quais condições são essas?

Art. 100. Em unidade consumidora ligada em tensão primária, o consumidor pode optar por faturamento com aplicação da tarifa do grupo B, correspondente à respectiva classe, se atendido pelo menos um dos seguintes critérios:
I – a potência nominal total dos transformadores for igual ou inferior a 112,5 kVA;
II – a potência nominal total dos transformadores for igual ou inferior a 750 kVA, se
classificada na subclasse cooperativa de eletrificação rural;
III – a unidade consumidora se localizar em área de veraneio ou turismo cuja atividade seja a exploração de serviços de hotelaria ou pousada, independentemente da potência nominal total dos transformadores;
ou IV – quando, em instalações permanentes para a prática de atividades esportivas ou parques de exposições agropecuárias, a carga instalada dos refletores utilizados na
iluminação dos locais for igual ou superior a 2/3 (dois terços) da carga instalada total.
§ 1º Considera – se área de veraneio ou turismo aquela oficialmente reconhecida como
estância balneária, hidromineral, climática ou turística. (Redação dada pela REN ANEEL 479, de 03.04.2012)
§ 2º A aplicação da tarifa do grupo B ou o retorno ao faturamento com aplicação de
tarifa do grupo A devem ser realizados até o segundo ciclo de faturamento subsequente à formalização da opção de faturamento. (Incluído pela REN ANEEL 4
79, de 03.04.2012)
Resolução 414/2010, em vigência na data atual.

 

Então, qualquer cliente cuja a potencia instalada seja igual ou menor que 112,5kVA poderá ser faturada em baixa tensão, o que pode viabilizar a utilização de energia fotovoltaica para esse cliente.

A outra opção, sem limite de potência, é hotéis ou pousadas localizadas em área de veraneio ou turismo.

Apenas cuidado, não é apenas por ser hotel que se tem essa opção. No caso da Light, essa solicitação irá para o setor jurídico da Light para se posicionarem sobre essa possibilidade.

E a tal da tarifa AS???????

Algumas concessionárias em seu sistema de distribuição tem algumas peculiaridades, sendo a Light uma dessas concessionárias (não são todas as concessionárias que possuem essas peculiaridades).

Que peculiaridades são essas?

São o sistema subterrâneo radial e o sistema subterrâneo reticulado (network).

No sistema reticulado, é comum que mesmo grandes potências sejam ligadas em BT.

Se o limite de 75kW não necessariamente se aplica nesses casos, o cliente ficaria obrigado a usar apenas a tarifa B3, que apresenta uma tarifa de R$/kWh mais cara que a do sistema A4. Para dar opção a esse cliente existe a tarifa AS.

Características da tarifa AS

A tarifa AS é semelhante as tarifas do grupo A4, podem ser convencional (a ser extinguida), HS Verde e HS AZUL. As diferenças são nos valores cobrados.

Os valores de demanda são em média 60% mais caros no AS que no A4 (pelo menos na Light) e os valores de consumo na ponta são 40% mais altos e os de fora de ponta 10% mais caros na HS Verde e cerca de 10% mais caros tanto na ponta como fora de ponta na HS Azul.

E o que isso importa para GD?

Agora começam os pulos do gato.

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Situação 1:

Loja de departamentos, instalado no centro do município do RJ, de 1000m² de área construída.

Foi feito um estudo tarifário, por ocasião da instalação do cliente e se chegou a seguinte conclusão:

Melhor opção: da tarifa AS Verde, com 250kW de demanda contratada.

Sua empresa, hoje, foi convidada para fazer um orçamento com a análise financeira para o cliente.

Você faz o projeto de geração e prepara o fluxo de caixa e apresenta para o cliente.

Vamos supor que deu uma TIR (taxa interna de retorno) de 14% aa.

Mas, seu concorrente faz a mesma simulação que você, e mais uma.

Ele simula como seria a geração distribuída com energia fotovoltaica se o cliente voltasse a faturar o B3.

Ao fazer essa simulação, ele verifica que o valor de conta de energia a pagar após a instalação do sistema de energia fotovoltaica seria menor, e a TIR passa para 16% aa.

Quem seu cliente escolhe?

E mais do que isso, para o cliente fica a percepção que o competente mesmo é o concorrente, e não você.

Situação 2

Restaurante no centro do município do RJ, de 500m² de área construída.

Esse cliente nunca fez um estudo tarifário, logo ele é tarifado em B3.

Ele solicita um orçamento de geração distribuída com energia fotovoltaica a fim de reduzir seus custos de energia elétrica.

Sua empresa visita o local, e verifica que em função dos prédios no entorno, o sombreamento será muito grande.

Isso inviabilizará a instalação do sistema de geração de energia fotovoltaica.

Você explica para o cliente, agradece e vai embora.

Mas, aquele mesmo concorrente, vai nesse cliente e chega a mesma conclusão, sobre a inviabilidade da instalação do sistema de geração de energia fotovoltaica.

No entanto, resolve fazer um estudo tarifário, e descobre que poderá reduzir em 15% dos custos de energia elétrica para o restaurante.

Ele conversa com o cliente, faz um contrato de performance, ganha dinheiro e o cliente também.

E posso instalar energia fotovoltaica em sistema reticulado?

Pode, mas não poderá ser gerado excedente para a rede, ou seja, toda a energia produzida precisará ser consumida.

Essa informação consta no Procedimentos para a Conexão de Microgeração e Minigeração ao Sistema de Distribuição da Light SESA BT e MT – Até Classe 36,2kV, transcrito abaixo:

3.1.5 Conexão no Sistema Subterrâneo Reticulado

Em função de características técnicas, a LIGHT somente permite conexões de Micro e Minigeração Distribuída em suas redes do SISTEMA RETICULADO mediante a instalação de um sistema de proteção que garanta a não injeção de energia na rede da Concessionária.

A proteção adicional deverá garantir o desligamento da geração quando a potência consumida pela carga do Acessante for inferior à potência de geração, evitando a exportação de energia. O projeto deverá ser submetido para LIGHT para aprovação.

Resumo de adoção de GD através de energia fotovoltaica para clientes com mais de 75kW de potência instalada

Como visto neste post e nos dois últimos, as opções tarifárias para clientes com mais de 75kW são variadas e um profundo conhecimento dessas opções fazem a diferença no tipo de solução a ser adotada ou proposta ao cliente.

Seu cliente quer é uma redução de custos de energia e não energia fotovoltaica.

O que ele quer é a melhor proposta de valor.

E isso pode passar por geração na ponta, mudança tarifária, deslocamento da curva de carga, mudança de fonte primária e até a instalação de geração de energia fotovoltaica.

Essa expertise, de ser um engenheiro de energia (ouvi esse termo do Eng. Édson Tito, da Datum, em 2000), pode fazer a diferença no seu negócio e no de seu cliente.

Você quer saber de Geração Distribuída? Você precisa saber a diferença de demanda e consumo

Tenho visto nos grupos de discussão que participo no whatsapp e conversando com pessoas do mercado de geração distribuída, principalmente de energia Fotovoltaica, uma enorme dificuldade de entender os conceitos de consumo e demanda, bem como a forma de cobrança das concessionárias para os clientes cativos, do grupo A4 e AS. Vou tentar esclarecer.

Começando do inicio…

Ao usarmos o chuveiro elétrico, acendermos uma lâmpada ou usarmos a bomba de água, não estamos fazendo nada mais que converter a energia elétrica em outra forma de energia. Essa energia, para chegar em nossos lares e trabalhos precisa percorrer um longo caminho e precisa ser produzida de alguma forma, logo ela tem um preço. Esse preço engloba todos os atores envolvidos desde sua geração até chegar em um local que nós possamos utilizá-las.

A unidade de medida de energia do SI (Sistema Internacional de medidas) é o Joule. No entanto, por motivos históricos no desenvolvimento da Física, cada ramo da engenharia acaba utilizando uma unidade de medida diferente. No caso de energia elétrica, os engenheiros eletricistas utilizam o kWh (1 WH = 3600 J)

Bom, sabemos que a concessionária nos fornece energia elétrica, então ela nos cobra energia elétrica. Assim sendo, qualquer conta de energia elétrica vai ter uma parcela chamada consumo, cuja unidade de medida é o kWh.

Mas, e a tal da Demanda?

Vamos imaginar que tenhamos uma lâmpada de 100W acesa durante 10h em um dia, a energia consumida será então 1(lâmpada) x 100(W) x 10 (h) = 1000Wh.

Agora, vamos fazer o contrário, vamos usar 10 lâmpadas de 100W durante apenas 1h em um dia. Nesse caso, a energia consumida será então 10 (lâmpadas)  x 100(W) x 1(h)  = 1000Wh.

Reparem que em ambos os casos, a energia consumida foi igual, mas utilizadas em tempos diferentes.

E por que isso é importante? Todo o dimensionamento do sistema elétrico, desde a geração até chegar no consumidor é feita em cima dos valores máximos instantâneos (não instantâneos, explico no final). Dessa forma, além da geração, deve ser investido dinheiro para a transmissão, e isso entra no preço da energia.

E agora, como pagamos a energia?

Bom, nossa legislação difere as tarifas e a forma de cobrança em função do tipo de cliente e da tensão de alimentação (que por sua vez é definida pela potência (a demanda máxima) que você vai solicitar).

Essa divisão é o que a ANEEL chama de CLASSES DE CONSUMO, resumidas na tabela abaixo:

tabela-classes-consumo

Na maioria dos casos, instalações com potências inferiores a 75kW serão do grupo B e acima disso, do grupo A (Em post futuro tratarei dessas exceções).

Então, para potências menores que 75kW, a concessionária vai te alimentar em baixa tensão. Esse cliente então, em sua conta de energia elétrica vai pagar apenas o CONSUMO (kWh) e não paga DEMANDA!

 As tarifas variam de concessionária para concessionária, mas para qualquer concessionária as tarifas de consumo de baixa tensão são mais caras que em outras modalidades.

Mas, se sua potência instalada for superior a 75kW você receberá energia em média tensão (o termo técnico é alimentado em tensão primária de distribuição). A conta de energia elétrica agora difere, além do consumo, você paga pela sua DEMANDA (kW)!

Bom, então a conta de média tensão tem duas parcelas, o referente ao consumo e o referente a demanda. Antes de explicarmos quais os tipos de faturamento (é, tem mais de um, sinto muito) vamos tentar explicar melhor o que é e como a concessionária mede e cobra a demanda.

Relembrando ou aprendendo conceitos….

Para saber qual a energia consumida por um equipamento elétrico, multiplicamos sua potência pelo número de horas em funcionamento.

Vamos supor um cliente fictício, com os valores de equipamentos e funcionamento conforme tabela abaixo:

tabela-10

Bom, vemos que esse cliente tem um consumo diário de 816kWh. Se esse cliente é um cliente de classe B, não tenho mais nenhuma preocupação, sei o quanto ele gastará em R$ de energia elétrica. Mas, vamos analisar como ele usa a energia diariamente, no gráfico abaixo.

grafico-1

Podemos notar que o uso da energia não é linear durante o dia todo. O pior ponto de uso do dia é o que chamamos de DEMANDA.

grafico-2

A energia consumida nada mais é do que a área dessa figura.

Mas, vamos pegar esse mesmo cliente, e supor que se resolveu começar o horário de trabalho mais cedo, passamos a ter o seguinte funcionamento:

nova-carga

grafico-3

Nos dois casos a energia consumida foi a mesma, MAS A DEMANDA foi diferente.

O exemplo foi bem simplificado. Na verdade, a curva diária é uma curva com muito mais variações do que essa.

E como a concessionária mede a demanda? Na verdade, ela calcula a demanda a cada 15 minutos e a demanda medida é a MAIOR que ocorrer no mês.

Opa, MAIOR? Sim, isso mesmo. Em um mês típico de 30 dias, a concessionária mede 2880 valores de demanda e o valor a ser utilizado como valor medido é o MAIOR.

Agora, com o conceito entendido vamos falar de tarifas agora.

Vou me ater apenas no Subgrupo A4, pois tensões acima de 25kV já são de potências superiores a 2,5MW, com enorme chance de ser cliente optante do mercado livre, logo fora do objetivo que motivou o post.

Ainda temos um novo conceito antes de entrarmos no faturamento propriamente dito.

HORÁRIO DE PONTA – O QUE É ISSO?

O consumo de energia elétrica varia durante o dia, dessa forma, o sistema de geração precisa atender essa variação. Em horários de muita solicitação, pode ser necessário que seja necessário se acionar usinas cuja a geração de energia seja mais cara. A ampliação do sistema elétrico é feita em função da demanda máxima.

Oras, aplicando o princípio de oferta x demanda, no momento que eu tenho mais pessoas procurando energia, ela se torna mais cara.

O que o horário de ponta tenta refletir é esse custo maior para o cliente final, com isso, se ele puder deslocar seu consumo para outro horário, ele o fará (vai usar a mesma energia, mas pagando menos).

No Brasil, o horário de ponta é um intervalo de 3 horas consecutivas, entre as 17hs e 22hs, em dias úteis, variando de concessionária para concessionária. Na Light, por exemplo, esse intervalo é entre 17:30 e 20:30.

Finalmente, vamos falar das tarifas.

Já sabemos o que é demanda e o que é horário de ponta. Vamos às tarifas possíveis para o os clientes do Subgrupo A4.

TARIFA CONVENCIONAL

Esse tipo de tarifa vai ser extinta a partir das revisões tarifárias das distribuidoras. Como eu não sei se todas as distribuidoras já extinguiram, segue a explicação.

Nessa tarifa, o consumidor paga o consumo medido (em kWh) e a demanda. Não há diferença se o consumo ou a demanda ocorrem no horário de ponta ou no horário fora de ponta. Já tem algum tempo que só é permitido para demandas de no máximo 300kW, além de estar em vias de extinção.

TARIFA HORO-SAZONAL VERDE

Na tarifa HORO-SAZONAL VERDE, que simplesmente chamamos no mercado de tarifa verde, os valores de consumo são diferentes no horário fora de ponta e no horário de ponta, mas a demanda é uma única.

TARIFA HORO-SAZONAL AZUL

Na tarifa HORO-SAZONAL AZUL, que simplesmente chamamos no mercado de tarifa azul, os valores de demanda e consumo são diferentes no horário fora de ponta e no horário de ponta.

Observação: Os valores tarifários variam no ano em função das chuvas, ou seja, período úmido ou seco. Para o objetivo do post, essa variação não importa, pois só modifica os valores que as concessionárias cobram.

Complicou? Vamos ver uns exemplos (ambos da área de concessão Light)

Cliente com conta no HS Verde:

conta-hsverde

Cliente com conta no HS Azul

conta-hsazul

No cliente HS Verde, a demanda só é cobrada 1 vez, não importa se ela acontece no horário de ponta ou no horário fora de ponta. Em compensação, sua tarifa de consumo na ponta é 1,639 (soma do TUSD + TE). No cliente HS Azul, a demanda é cobrada na Ponta e na Fora de Ponta, sendo a tarifa na Ponta praticamente o dobro na fora de ponta. No entanto, o custo do kWh na ponta é menor que na HS Verde (0,7781, ou seja, 48%).

Não existe nenhuma obrigatoriedade das demandas de Ponta e Fora de ponta serem iguais. Na grande maioria dos casos, não é. Esse cliente específico estava com o contrato mal feito.

Bom, ainda tem uma outra coisa para falar sobre demanda.

DEMANDA CONTRATADA X DEMANDA MEDIDA

Quando se faz o contrato junto a concessionária precisamos determinar um valor de DEMANDA CONTRATADA. Toda vez que a demanda medida for menor que a demanda contratada, pagaremos a demanda contratada. Se a demanda medida for maior que a demanda contratada em até 5%, pagaremos a demanda medida, mas se a demanda medida EXCEDER EM MAIS DE 5% da demanda contratada, o valor de demanda que exceder a contratada, pagaremos uma tarifa de 300%.

Porque isso é importante? Antes de ofertar energia solar para seu cliente, verifique se ele não está com o contrato mal feito.

E a Geração Distribuída com energia FV nisso tudo?

A análise financeira muda, e muito, se compararmos um cliente do Grupo B e do A. Primeiro, o valor do kWh no grupo B é maior que no grupo A, e você continua tendo que pagar a demanda, logo sua economia em R$ será menor.

Nos próximos posts darei sugestões de quais valores de consumo se basear para a determinação de quantos kWp se deve instalar.

Ainda tem dúvidas sobre o assunto? Deixe suas perguntas nos comentários que terei um enorme prazer em tentar esclarecê-las.

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