Biblioteca do Engenheiro Eletrotécnico

biblioteca do engenheiro eletrotecnico

Na semana passada, em nosso grupo do Telegram, o André Tramontini fez um comentário de que estava fazendo hora na livraria e , decidiu levantar o custo da biblioteca do engenheiro eletrotécnico.

Outro dia… foi minha vez de parar na livraria e ficar vendo os livros técnicos.

Daí, surgiu a pergunta: Quais livros um engenheiro eletrotécnico precisa ter?

Escrevi uma série de publicações de gestão no Pulse (ainda falta mais para escrever) e em uma delas falo sobre os custos de implantação de uma empresa de prestação de serviços.

Empresas com atividade fim principalmente na produção de capital intelectual, como neste caso, tendemos a achar que não tem grandes custos de implantação, o que não é verdade. Dessa forma, esse post serve tanto para referenciar novos profissionais na área, quanto para lembrarmos de nos mantermos atualizados o que tem seu custo.

Instalações Elétricas – O mínimo na biblioteca do engenheiro eletrotécnico

Qualquer engenheiro eletrotécnico precisa conhecer instalações elétricas. Apesar das referências principais serem as normas, elas não são de fácil leitura.

Hoje existe um número razoável de autores com o tema de instalações, mas a ideia da lista é tratar dos clássicos.

  1. Instalações Elétricas – Hélio Creder – 16ª Edição

O livro de instalações elétricas do Hélio Creder é um dos primeiros, se não o primeiro ,lançado no Brasil. A 1ª edição tem quase 50 anos. A última revisão, de 2016, foi feita após o falecimento do Hélio Creder. Praticamente todos os técnicos e engenheiros eletricistas do Rio de Janeiro usaram esse livro como referência.

Acho que alguns assuntos não tiveram a devida atualização; a forma como encaramos as normas hoje são bem diferentes do que anos atrás, e não acho que o livro tenha evoluído tanto quanto deveria, mas ainda faz parte da biblioteca mínima;

2. Instalações Elétricas – Julio Niskier – 6ª Ed

O livro do Niskier é um pouco mais novo que o do Creder, tem apenas 30 anos 🙂 de sua primeira edição.

Bastante parecido com o do Creder no conteúdo; na minha opinião se você tem o do Creder não precisa do Niskier e vice-versa.

3. Instalações Elétricas – Ademaro Cotrim – 5ª Ed

Eu só fui conhecer esse livro após o falecimento do Cotrim, no curso de inspeção em instalações elétricas da Target. Não sei se por questão de bairrismo ou apenas pelo fato do Creder ser carioca e o Cotrim paulista, não era uma bibliografia muito utilizada no RJ.

Existe algumas diferenças entre a forma que o Cotrim escreve para a do Creder e do Niskier. O livro do Cotrim tem menos imediatismo, no entanto, mais conhecimento, mais teoria envolvida.

Tem mais respostas aos Porquês do que os outros dois. Para quem gosta ou precisa conhecer os princípios, o livro do Cotrim é superior. Para quem está iniciando, talvez os outros dois sejam mais indicados.

A última revisão também foi escrita após o falecimento do Cotrim.

Quem precisa dos livros acima?

Qualquer um que trabalhe, seja em projeto, seja em execução das instalações elétricas ou consultoria, pelos menos um dos livros é fundamental.

Eu uso o do Cotrim, que no meu entendimento, complementa e esclarece o que não esteja claro na norma.

Normas – Evoluindo

Confesso que (ou) por falha minha de entendimento ou por ser um entendimento do mercado mesmo na década de 90, nós não nos preocupávamos com normas. Usávamos o livro do Hélio Creder e as tabelas dos fabricantes de cabo.

Olhando para trás, não sei se pensávamos que o Creder era um bruxo e as informações vinham para ele. Nunca me perguntei isso. Mas, hoje, seja por causa da facilidade nas informações, seja por mudança na sociedade, a comunidade técnica entende a necessidade e a importância das normas. Então, já não basta  livro, você precisa de mais alguma literatura.

4. NBR5410 – Instalações elétricas em baixa tensão – Ed. Comentada – Target

Normas não são literatura fácil de ler. Você está na página 135 que cita uma coisa dita na página 25, que por sua vez cita uma outra norma que você não tem.

As normas de instalações elétricas parece que são ainda piores. E o problema é que você precisa conhecer a NBR5410, não pode entrar em campo sem ela. Minha sugestão é que não compre a norma, compre a Comentada pela Target.

Apesar de não ser um livro texto, auxilia e muito, apesar de doer o bolso.

5. Nbr-5419 – Proteção contra descargas atmosféricas

Bom, se você se formou antes de 2015, sinto muito, você está desatualizado nesse assunto. Mesmo os livros de instalações elétricas sempre trataram desse assunto de forma superficial, e a mudança ,nessa última revisão, foi drástica.

Não tem para onde fugir, essa norma você precisa ter.

6. NBR 14039 – Instalações elétricas em média tensão – Ed. Comentada – Target

Se você de alguma forma trabalha com instalações em MT, então, precisará da norma, e pelo mesmo motivo da Nbr5410, sugiro a comentada.

7. Guia Eletricidade Moderna da NBR5410

Esse guia se refere à revisão da norma de 1998, logo pode-se julgar ultrapassado. Porém, no meu entender , é uma das melhores se não melhor literatura técnica de eletricidade das últimas duas técnicas. Tenho quase certeza que já nasceu com disponibilidade para download.

No momento, uma série de sites permitem o download; uma busca no google resolve. Como não entrei com contato com a Aranda, não disponibilizo aqui já que não tenho certeza se a disponibilização é possível sem ferir algum direito autoral.

Segue um trecho da apresentação que descreve bem a importância da literatura:

“Comparado a outros guias de normas de instalações,de outros países, este Guia EM da NBR 5410 tem suas peculiaridades. Pode ficar devendo a eles em muitos aspectos. Mas com certeza é melhor num ponto. A maioria dos guias existentes se contenta em apresentar as regras de “sua”norma de uma maneira mais inteligível — já que não é próprio das normas técnicas uma linguagem didática — e a fornecer orientação sobre a aplicação dessas regras,às vezes recorrendo a exemplos práticos. Nosso guia vai mais longe. Ele explica as razões de certas prescrições.

Vale a pena? Não é essa uma preocupação de duvidosa utilidade? Ao contrário, saber por que se faz é o melhor caminho para bem fazer. E, ainda mais, sua eficácia como mecanismo cognitivo. Apontar as razões,desvendar o cerne das questões tem um efeito na retenção da informação transmitida muito superior à da assimilação que essa informação teria se passada de forma simplesmente descritiva, mecânica.

8. Guia O Setor Elétrico de Normas Brasileiras – NBR5410 – NBR14039 – NBR5419 – NR 10

O problema do Guia da Eletricidade Moderna é que ele subiu o nível. Qualquer publicação depois disso, que trate sobre o mesmo assunto, vai ser comparada: é impossível não fazê-lo!

O Guia do Setor Elétrico também é bom, está atualizado na 5410 e na 14039 (na 5419 não mais).Foi escrito por excelentes profissionais, alguns até participaram do guia anterior.

Mas, não é o mesmo nível. Foi gratuito para quem assinava a revista, eu mesmo recebi o meu graciosamente, mas hoje é pago.

O GUIA EM é melhor dividido e melhor diagramado. Enfim, é uma boa publicação, mas aquém da expectativa anterior.

Saindo do bê-a-bá

Até aqui, a biblioteca é básica, na verdade, deveria ser a do recém-formado.

Você pode se limitar a projetos de instalações residenciais sem grandes objetivos quanto a complexidade.

Sugiro que não faça isso, você nunca sabe para onde sua carreira e o mercado podem te levar.

9.Instalações Elétricas Industriais – João Mamede Filho – 8ª Edição

Você sabia que estava na graduação e não mais no curso técnico quando o Creder não era mais o suficiente e você tinha que pesquisar no livro do Mamede. Ele trata de instalações industriais, e vamos ser sinceros (meus colegas não vão gostar), as instalações simples o arquiteto e o engenheiro civil fazem.

Então, se você quer se diferenciar (e é bom que o faça), cedo ou tarde você terá que ver outras coisas. Esse livro trata desde instalações de BT de força, cálculos de curto-circuito industrial e a última revisão tem projetos de subestações até 69kV.

Tem um anexo, mostrando um projeto feito do inicio ao fim, com a memória de cálculo e a documentação. Após ler esse anexo e procurar os projetos no mercado, analise e me diga a diferença.

10.Manual de equipamentos elétricos – João Mamede Filho – 4ª Edição

Os engenheiros de instalações, aqueles que são voltados para o campo propriamente dito, tem uma falha normalmente : o pouco conhecimento sobre o funcionamento dos equipamentos em si.

Quando você vai para o setor de prestação de serviços de manutenção essa falta de conhecimento já faz a vida ser um pouco mais difícil.

Hoje, com o número de fabricantes para qualquer coisa vindos de qualquer parte do mundo, especificar um equipamento virou uma arte praticamente.

O livro do Mamede vai tratar exaustivamente de itens que um livro de instalações não pode, falando de equipamentos propriamente dito. Destaque para o capítulo de transformadores.

Segurança em instalações elétricas

11.Curso Básico de Segurança em Eletricidade – Manual de Referência da NR-10 – Aloizio Monteiro de Oliveira

O livro do Aloizio trata do assunto com uma profundidade ímpar. De difícil aplicação no dia a dia em sua totalidade, mas indispensável para qualquer engenheiro que tenha preocupação com segurança.

Infelizmente é um livro que não se acha em livrarias, meu exemplar foi comprado diretamente com o autor.

Old-School

Houve um tempo, antes da internet, antes do google e da Wikipedia, que ter acesso a conhecimento não era muito simples. Essa dificuldade impedia que se escrevessem e publicassem livros mais ou menos, sem uma densidade mínima.

Alguns desses livros foram revisados e atravessaram gerações de engenheiros e técnicos. Alguns, nunca foram revisados, e só se encontram em sebos e na memória de alguns saudosistas.

A tecnologia é ultrapassada, mas os princípios físicos, não. São obras que se pautaram pelo esmero, pelo apego ao detalhe, por uma excelência não mais comum nos dias de hoje.

Difícil dizer se são obrigatórias ou não, em tempos em que se privilegia o curto prazo em detrimento do longo, mas eu acredito que são livros para a biblioteca de quem um dia pretende chegar a excelência.

12.Fundamentos de Medidas Elétricas – Solon de Medeiros Filho

Esse livro é de 1981. Ensina a calcular como transformar um amperímetro em voltímetro ou ohmímetro, o que é uma Ponte de Wheatstone.

Conhecimento desnecessário hoje? Talvez seja. Mas, a física descrita, as premissas são válidas. O quanto que esse tipo de informação, conhecimento e linha de raciocínio  ajudou na formação dos engenheiros das décadas de 80 ou 90?

13.Medição de Energia Elétrica – Solon de Medeiros Filho

Mais um livro do Solon. Hoje, com medidores digitais, trifásicos, com smart grid, parece estranho incluir na biblioteca algo que vá falar sobre as forças que fazem girar os componentes mecânicos de um medidor de energia.

Mas, novamente, a física descrita continua válida. Seja pela potência trifásica a partir do uso de dois wattímetros ou pela explicação de como se especifica um TC de proteção e medição.

14.Introdução a Proteção dos Sistemas Elétricos – Amadeu C. Caminha

Eu tenho um “problema” com livros. Adoro os prefácios! Normalmente decido pela compra de um autor não conhecido pelo prefácio. Livros também tem seu motivo para serem escritos.

O livro do Caminha, de 1977, cai nas mesmas ressalvas que o do Solon. Antigos, tecnologia ultrapassada. No assunto em questão, proteção, talvez mais ainda.

Deixo com o inicio do prefácio a decisão de compra.

      “A dificuldade em encontrar um livro-texto em português, aliado à necessidade de bem aproveitar o pouco tempo disponível no curso de graduação para assuntos tão específicos, levaram-nos a tentativa de produzir este trabalho. Assim, pretendemos que ele venha a ser uma ponte realística entre o ideal e o possível.”

Ausências

Faltaram, é óbvio, livros na lista. Seja porque apesar de conhecer de renome (o livro do Reis Miranda, por exemplo) eu nunca o li, seja porque são autores mais modernos que eu não li, ou pela hipótese : eu ter esquecido, injustamente…

Não inclui também os livros da geração de engenheiros anterior a minha, como o do Chester L. Dawes, cuja a edição americana é de 1922 (meu pai ainda tem a edição nacional em casa).

No entanto, a lista apresentada já é suficiente para se gastar um dinheirinho, conforme tabela abaixo.

 

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2 comments

  • Parabéns Vinícius pelo post, lembrou bem do Solon, a galera que se acostumou no digital tem que saber do princípio, e principalmente como pode falhar, exatidão etc. Agora, não precisa comprar os três de instalações (Creder, Niskier, Cotrim), só basta um, aí alivia um pouco a sua planilha 🙂

    Abraço!

    • Fala Carlinhos. Concordo que os três não precisem, mas o Cotrim e mais um eu sugiro. Afinal, algumas informações mais teóricas só lá. Se bem que isso é para os nerds igual nós dois. 🙂 Forte Abraço

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